Crise da foto: Declaração de Trump sobre Meloni provoca curto-circuito e rompe laços entre EUA e Itália

Por O Brasiliense 

A histórica e estratégica aliança política, comercial e militar entre os Estados Unidos e a Itália enfrenta sua pior crise diplomática em décadas. Um comentário irônico feito pelo presidente norte-americano, Donald Trump, sugerindo que a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, teria “implorado” por uma fotografia ao seu lado durante a recente cúpula do G7 na França, desencadeou uma forte e imediata retaliação institucional por parte de Roma.

A declaração polêmica foi concedida por telefone à emissora de televisão italiana La7 na última sexta-feira (19). Ao ser questionado sobre a líder italiana, Trump desdenhou da aproximação: “Ela provavelmente está feliz por eu ter conversado com ela. Eu não tinha que falar com ela. Ela implorou a mim que tirasse uma foto com ela. Eu não teria tirado, mas fiquei com pena”, disparou o republicano.

“A Itália Nunca Implorou”: Meloni Rebate e Cancela Agenda

A reação do governo italiano escalou rapidamente da esfera verbal para as sanções diplomáticas práticas. Em um vídeo contundente publicado em suas redes sociais, Giorgia Meloni classificou as alegações de Trump como “completamente fabricadas e inventadas” e aproveitou para alfinetar a postura global do chefe da Casa Branca:

“Estou perplexa. Não sei por que o presidente dos Estados Unidos age dessa maneira com seus aliados — e não é a primeira vez. Só posso dizer que é lamentável que ele não demonstre a mesma determinação contra os inimigos do Ocidente e as lideranças com as quais se mostra mais condescendente. Há uma coisa de que ele precisa se lembrar: nem eu nem a Itália jamais imploramos.”

Como primeiro efeito prático do descontentamento, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, cancelou sumariamente a viagem oficial a Washington que faria neste domingo (21) e segunda-feira (22), onde se reuniria com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Tajani tachou o comportamento de Trump como “grave, ofensivo e que insulta toda a Itália”.

O Choque das Direitas Nacionalistas

A crise expõe o esgarçamento definitivo de uma relação que já foi muito próxima. Meloni chegou a ser a única chefe de governo europeia a comparecer pessoalmente à posse presidencial de Trump em janeiro de 2025. No entanto, as divergências geopolíticas sobre o conflito no Oriente Médio e os ataques de Trump à Igreja Católica dinamitaram as pontes entre Washington e Roma.

De acordo com analistas internacionais, como Nathalie Tocci, diretora do Istituto Affari Internazionali em Roma, o atrito era previsível sob a ótica ideológica, uma vez que o populismo nacionalista de Trump e o nacionalismo de extrema-direita de Meloni tendem a colidir quando os interesses soberanos ou o orgulho nacional entram em rota de colisão. Embora as relações econômicas e militares estruturais devam persistir por necessidade de Estado, a avaliação consensual na Europa é de que uma aliança política genuína e de confiança com a atual Casa Branca tornou-se inviável.