Por O Brasiliense
A alta relojoaria suíça perdeu uma de suas mentes mais brilhantes e influentes. A manufatura de luxo Patek Philippeanunciou o falecimento de seu presidente honorário, Philippe Stern, ocorrido no último domingo (14 de junho), aos 88 anos. Em comunicado oficial, a empresa sediada em Genebra lamentou a perda de um “espírito pioneiro e visionário” que deixou uma marca indelével na história da manufatura familiar, preservando sua independência e consolidando sua estatura global.
Nascido em 1938, Stern comandou a companhia como presidente entre 1993 e 2009, período no qual blindou a marca contra a onda de fusões que reconfigurou o mercado de luxo e garantiu o posto da Patek Philippe no topo da pirâmide da alta horologia mecânica.
Resistência à Crise do Quartzo e Grandes Feitos
A trajetória de Philippe Stern confunde-se com a própria sobrevivência do relógio mecânico tradicional. Nomeado diretor-geral em 1977, ele assumiu o comando operacional no ápice da chamada “crise do quartzo” — período em que os relógios eletrônicos asiáticos, mais baratos e precisos, quase dizimaram a indústria suíça.
Em vez de ceder à nova tecnologia, Stern tomou a decisão estratégica de valorizar e aprimorar o artesanato e a complexidade mecânica. Sob sua liderança e mentoria, a Patek Philippe entregou marcos históricos para o setor:
- O Nautilus: Supervisionou o desenvolvimento e o lançamento, ainda nos anos 1970, do relógio esportivo de aço que se tornaria um dos maiores fenômenos de desejo e valorização do mercado mundial.
- Calibre 89: Coordenou o projeto multianual para a criação do relógio portátil mais complicado do mundo na época. Lançado em 1989 para celebrar os 150 anos da marca, o modelo contava com impressionantes 33 complicações mecânicas.
- Selo Patek Philippe: Em 2009, instituiu um padrão próprio de qualidade e regulamentação interna, substituindo o tradicional Selo de Genebra para estabelecer critérios ainda mais rígidos de acabamento e precisão.
Defesa da Independência Familiar
Enquanto gigantes do setor se organizavam em grandes conglomerados — dando origem ao Swatch Group e às divisões de relógios da Richemont e da LVMH —, Philippe Stern manteve-se firme na filosofia de controle familiar. Sob sua gestão, a marca centralizou sua produção em uma nova e moderna manufatura em Plan-les-Ouates, trazendo a maior parte dos processos de fornecimento e fabricação para dentro de casa (in-house).
Em 2001, Stern realizou um de seus maiores sonhos pessoais ao fundar o Museu Patek Philippe, no distrito de Plainpalais, em Genebra. O local abriga uma das coleções de peças de tempo mais importantes do planeta, servindo como um tributo público à evolução da arte da medição do tempo.
Em 2009, Philippe passou o bastão da presidência para seu filho, Thierry Stern, que hoje lidera uma operação com receitas estimadas em 2,5 bilhões de francos suíços. Fora dos escritórios, o patriarca também era conhecido como um esquiador ávido e um velejador talentoso, tendo vencido regatas de prestígio no Lago Genebra. Como última grande homenagem em vida, em 2023, seu filho celebrou o aniversário de 85 anos do pai com o lançamento do modelo Ref. 1938P, um relógio de repetição de minutos e alarme que trazia o retrato de Philippe esmaltado no mostrador.


