Polícia Civil tenta localizar servidor Alexandre Macedo da Rosa e outros quatro comparsas; quebra de sigilo revela que despachantes alimentavam o balcão de fraudes.
Por Redação O Brasiliense
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) disparou um alerta de busca e capturas regionais para localizar cinco integrantes da organização criminosa que operava fraudes em série no Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF). Os alvos tiveram as prisões preventivas decretadas pela Justiça, mas conseguiram escapar do cerco policial montado pelas equipes da 17ª Delegacia de Polícia durante a deflagração da operação na última terça-feira (26).
No topo da lista de foragidos da Justiça está o casal apontado como o núcleo financeiro e operacional do esquema: o funcionário público do Detran Alexandre Macedo da Rosa e sua esposa, Shana Rodrigues Macedo.

Quem são os procurados pela polícia?
A investigação, que se estende há pouco mais de um ano, conseguiu identificar e isolar a função de cada participante do bando no mercado clandestino de adulteração de prontuários. Os nomes e qualificações divulgados oficialmente pelas autoridades policiais são:
- Alexandre Macedo da Rosa: Servidor de carreira do Detran-DF. Apontado como o líder ideológico do grupo e o responsável técnico por invadir o sistema usando credenciais alheias para apagar multas e liberar gravames.
- Shana Rodrigues Macedo: Esposa de Alexandre (não pertence aos quadros do órgão). Atuava como operadora financeira, disponibilizando suas contas bancárias pessoais para recolher e pulverizar a propina gerada pelo marido.
- Caio Raffael Furtado: Suspeito de atuar na captação externa e agenciamento de motoristas infratores.
- Pedro Cruz Filho: Investigado por intermediação de documentos e facilitação de transferências irregulares de veículos.
- Quinto Integrante: Teve o mandado de prisão expedido, mas a PCDF mantém a identidade e a fotografia sob sigilo estratégico para não comprometer as buscas.
O rastro das provas: Celulares apreendidos entregaram o líder
Conforme revelou o delegado titular da 17ª DP, Thiago Boeing, a engrenagem criminosa dependia de uma rede externa formada por despachantes e intermediários. Esses agentes captavam donos de veículos com IPVAs atrasados, restrições judiciais ou alto volume de infrações na CNH e ofereciam a “limpeza completa” por uma taxa padrão de R$ 2 mil.
A investigação ganhou corpo após uma primeira fase deflagrada no início do ano. Com a apreensão de celulares e mídias digitais de intermediários de baixo escalão, os peritos extraíram mensagens de texto, comprovantes de depósitos e logs de auditoria que apontaram diretamente para a matrícula de Alexandre.
“A partir da análise desse material, a gente conseguiu identificar o líder do grupo, que é um servidor do Detran, responsável direto por essas alterações nos sistemas. Esse dinheiro era transferido diretamente para a conta da esposa desse servidor”, detalhou o delegado Boeing, ressaltando que o esquema lesava tanto proprietários de boa-fé (que tinham carros clonados ou transferidos sem aval) quanto o erário público, que deixava de arrecadar com as sanções de trânsito.
O grupo foi formalmente denunciado pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistema de informática.
Detran-DF promete endurecer barreiras digitais e reforçar o GETRAN
Em manifestação oficial enviada à reportagem, a direção do Detran-DF explicou que a fraude foi captada originalmente pelos mecanismos internos de cruzamento de informações de segurança. A servidora que teve seu login violado voluntariamente procurou a polícia para denunciar os acessos indevidos após notar movimentações anômalas vinculadas à sua matrícula.
A autarquia informou que Alexandre Macedo da Rosa já foi preventivamente afastado de seu setor de origem e teve todas as suas permissões eletrônicas sumariamente bloqueadas. Ele responderá a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) com base na Lei Complementar nº 840/2011, cuja punição máxima prevê a demissão a bem do serviço público.
Para estancar a vulnerabilidade sistêmica do software corporativo (GETRAN), o órgão anunciou uma série de investimentos emergenciais em segurança cibernética:
[Autenticação Multifator - MFA] ──► [Auditoria de Acessos] ──► [Rastreabilidade Total de Operações]
O Detran reiterou que continuará colaborando integralmente com os órgãos de inteligência da Polícia Civil para identificar possíveis novos clientes que tenham se beneficiado do balcão de fraudes para anular pontuações de forma ilegal.