Facilidade sistêmica: Servidor do Detran-DF é acusado de chefiar rede criminosa de fraudes em multas

Esquema utilizava login e senha de colega de trabalho para apagar infrações e transferir veículos; quadrilha cobrava R$ 2.000 por serviço irregular e espalhou tentáculos por quatro estados

Por Redação O Brasiliense

Uma megaoperação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou uma organização criminosa infiltrada no Departamento de Trânsito do DF (Detran-DF). Um servidor de carreira do órgão é apontado como o mentor e líder de um sofisticado esquema de fraudes eletrônicas que limpava o prontuário de motoristas infratores, realizava a transferência ilegal de propriedade de veículos e adulterava dados cadastrais diretamente no sistema de dados da autarquia.

De acordo com as investigações, a quadrilha operava de forma empresarial e cobrava uma taxa fixa de R$ 2.000 por cada intervenção clandestina solicitada por motoristas e terceiros.

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Para dar cumprimento à ação, policiais civis saíram às ruas para cumprir cinco mandados de prisão preventiva e 11 mandados de busca e apreensão. A operação estendeu-se para além das fronteiras da capital federal, atingindo endereços nos estados de Goiás, Piauí e Rio Grande do Sul, onde residiam comparsas encarregados de captar clientes interessados em burlar a fiscalização de trânsito.

A anatomia do golpe: Furto de credenciais e lavagem familiar

As apurações apontam que o servidor investigado se aproveitou da proximidade profissional para clonar e utilizar indevidamente as credenciais de acesso (login e senha) de uma colega de repartição. Com o perfil dela ativo no sistema, o suspeito conseguia chancelar as alterações sem levantar suspeitas imediatas de Auditoria Interna. A servidora que teve os dados usurpados não tem qualquer envolvimento com o crime e é tratada formalmente como vítima no inquérito.

O fluxo do dinheiro ilícito também foi mapeado pelos investigadores da PCDF e revelou uma estrutura familiar de lavagem de capitais:

[Cliente paga R$ 2.000] ──► [Conta da esposa do servidor] ──► [Divisão entre os captadores]

Os valores arrecadados com o balcão de negócios ilegal eram centralizados diretamente na conta bancária da esposa do servidor do Detran. Após o recebimento, os montantes eram fracionados e transferidos eletronicamente para remunerar os intermediadores que atuavam na captação de clientes na internet e em feiras de automóveis.

Mais de 600 fraudes detectadas por monitoramento

A farsa começou a desmoronar após o Núcleo de Inteligência do Detran-DF detectar picos anômalos de acessos e modificações de registro fora do horário de expediente associados à matrícula da servidora lesada. No total, a triagem inicial identificou mais de 600 operações suspeitas, incluindo a baixa irregular de pontuações acumuladas em CNHs e a emissão de documentos de veículos sem vistoria prévia.

Em nota oficial enviada à imprensa, a direção do Detran-DF confirmou que o monitoramento de segurança interna foi o ponto de partida do processo e garantiu que está colaborando ativamente com os investigadores para fornecer logs de sistema e dados de auditoria que facilitem a responsabilização penal e administrativa do servidor. O funcionário público responderá a Processo Administrativo Disciplinar (PAD) e corre o risco de ser demitido do cargo antes mesmo do trânsito em julgado na esfera criminal.