O risco do diagnóstico por algoritmo: Especialista alerta sobre uso de IA na saúde

Embora ofereçam conveniência, ferramentas de IA podem simplificar quadros clínicos e expor dados sensíveis; acurácia média para diagnósticos é de apenas 52,1%.


Brasília – O hábito de buscar sintomas na internet evoluiu do “Dr. Google” para consultas sofisticadas em chats de Inteligência Artificial (IA) generativa. Atualmente, brasileiros utilizam essas ferramentas para interpretar exames e desvendar causas de dores em segundos. No entanto, o engenheiro de software Gabriel Barros, especialista em segurança de dados com experiência no Vale do Silício, faz um alerta: a tecnologia que acelera decisões pode exagerar quadros clínicos e comprometer a privacidade do paciente.

A falha na interpretação clínica

Diferente de um médico, as IAs não avaliam o paciente de forma individualizada, mas respondem com base em padrões aprendidos em grandes volumes de dados. Segundo Barros, isso gera respostas que parecem plausíveis, mas que podem ser incorretas ou genéricas.

Dados científicos reforçam a necessidade de cautela:

  • Acurácia Limitada: Um artigo de 2025 da revista Nature revelou que a precisão média da IA para diagnósticos é de 52,1%, desempenho muito inferior ao de especialistas humanos.
  • Riscos Sistêmicos: Publicações da National Academy of Medicine apontam riscos como alucinações (respostas inventadas pela IA), vieses, limitações de raciocínio e falta de privacidade.
  • Repetição de Erros: Quanto mais uma informação incorreta é repetida na internet, mais a IA tende a utilizá-la como verdade.

Dados sensíveis em risco

Ao inserir exames, sintomas e até documentos pessoais como o CPF em chats de IA, o usuário cria um repositório de informações extremamente sensíveis em ambientes que nem sempre possuem governança de dados adequada. “Muitas plataformas não têm estrutura de segurança ou controle de acesso, e grandes empresas já sinalizam o uso de modelos com publicidade”, ressalta o engenheiro. No Brasil, a falta de regulamentação específica para a IA aumenta a incerteza sobre como esses dados são armazenados ou reaproveitados.

Alternativas seguras e especializadas

Para evitar a fragmentação e a exposição de dados, especialistas recomendam o uso de plataformas dedicadas e seguras.

  • MYME: Startup brasileira que oferece uma plataforma gratuita para centralizar o histórico de saúde (exames, vacinas e receitas) em um ambiente com foco em segurança.
  • Complementaridade ao SUS: Enquanto o Meu SUS Digital foca na rede pública, ferramentas como a MYME agregam documentos físicos, imagens e dados do cotidiano que o sistema público não registra.

O diagnóstico médico profissional continua sendo indispensável, e o armazenamento de informações de saúde deve ocorrer apenas em ambientes especializados e transparentes.


Perfil do Especialista: Gabriel Barros liderou projetos de isolamento de dados no Vale do Silício em parceria com Google e Microsoft, e é cofundador da healthtech MYME.


Reportagem: Redação O Brasiliense