Alerta no Lago Sul: Surgimento de Lagartas Venenosas Mobiliza Vigilância Ambiental

Com 97 exemplares coletados apenas em 2026, espécie Lonomia preocupa autoridades; veneno pode causar hemorragias graves, e animais são essenciais para a fabricação de antídoto

Brasília, DF — Um quintal residencial no Lago Sul tornou-se o centro de uma operação de segurança sanitária nas últimas semanas. Dezenas de lagartas do gênero Lonomia — conhecidas por serem as mais perigosas do mundo para seres humanos — foram recolhidas pela Diretoria de Vigilância Ambiental (Dival) após o chamado de um morador. O episódio acende um alerta para o Distrito Federal, que já contabiliza 97 exemplares coletados em 2026, reforçando o risco de acidentes graves em áreas verdes urbanas.

A Secretaria de Saúde do DF monitora com atenção a oscilação de casos. Embora 2026 registre apenas dois acidentes até o momento, os números do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostram uma tendência de alta no ano anterior, com 26 ocorrências registradas em 2025. O perigo reside na camuflagem: estes animais vivem em troncos de árvores e possuem uma coloração que os torna quase invisíveis ao olhar desatento.

O Paradoxo: O Veneno que é a Cura

A coleta desses espécimes não serve apenas para limpar as áreas residenciais, mas é a base de um esforço nacional de saúde. O Brasil é o único país do mundo que produz o soro antilonômico, fabricado pelo Instituto Butantan, em São Paulo. Diferente de serpentes, que podem ser “ordenhadas” em cativeiro, a produção do antídoto para lagartas exige o sacrifício e a maceração das cerdas do animal.

“Ao mesmo tempo em que ela é o problema, é a solução”, explica o biólogo Israel Moreira, da Dival. Por isso, a colaboração dos moradores do DF é vital. Cada lagarta recolhida e enviada ao Butantan representa doses preciosas de soro que podem evitar hemorragias severas e mortes.

Sinais de Alerta e Prevenção

Os especialistas alertam que o contato com as cerdas da Lonomia inocula uma toxina que altera a coagulação sanguínea. Os acidentes geralmente ocorrem em atividades cotidianas, como colher frutas ou encostar em troncos para descanso.

Para identificar a presença do animal, a Vigilância Ambiental recomenda observar:

  • Folhas parcialmente consumidas nas copas das árvores;
  • Fezes acumuladas no chão, próximas à base do tronco;
  • Agrupamentos de lagartas, que costumam ficar unidas durante o dia.

O Que Fazer em Caso de Avistamento ou Acidente

A recomendação da pasta de saúde é enfática: jamais tente manusear ou matar as lagartas por conta própria. Ao identificar o animal, o cidadão deve entrar em contato com os Núcleos Regionais de Vigilância Ambiental para o recolhimento seguro.

Em caso de contato acidental, a vítima deve ser levada imediatamente a uma unidade de saúde. O soro antiveneno é distribuído gratuitamente pelo SUS. Se possível, uma foto do animal ajuda os médicos na rapidez do diagnóstico e na aplicação do tratamento correto, evitando complicações sistêmicas.