Governadora do DF diz que não fará “guerra ideológica”, defende solução técnica para o banco e promete transparência na condução da crise
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou nesta segunda-feira (30) que não descarta recorrer ao governo federal para ajudar na recuperação do Banco de Brasília (BRB). Em meio à crise que atinge a instituição, ela disse que a prioridade será proteger o interesse da população e adotar medidas pragmáticas para fortalecer o banco.
Ao comentar o tema, Celina afirmou que não pretende transformar a gestão em um campo de disputa ideológica. “Aquilo que eu precisar pedir em nome do Distrito Federal ao presidente Lula ou a qualquer outro, eu farei”, declarou. Segundo ela, eventuais parcerias com o governo federal e com outras instituições podem ser decisivas para dar sustentação ao BRB.
A governadora citou nominalmente a Caixa Econômica Federal como uma possível aliada em uma estratégia de recuperação. De acordo com sua fala, a Caixa teria condições e disposição para colaborar com o banco distrital por meio de instrumentos financeiros mais robustos. Celina resumiu a posição em um discurso de perfil técnico: quer ser julgada, disse, pela situação da cidade e pela “recuperação do BRB, com transparência”.
A declaração ocorre no momento em que Celina assume o comando do GDF herdando uma das crises mais sensíveis do governo anterior. Reportagem da CNN Brasil aponta que a transição no Buriti aconteceu sob a sombra do caso BRB-Master, depois de investigações sobre operações financeiras envolvendo o banco privado e a tentativa frustrada de compra do Banco Master pelo BRB.
Nos últimos dias, o debate sobre a saúde financeira do banco se intensificou. O Correio Braziliense informou que o GDF pediu R$ 4,4 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para socorrer o BRB, em uma tentativa de reforçar o capital da instituição e preservar sua liquidez.
Além de admitir ajuda externa, Celina também sinalizou mudança de postura interna. Segundo o Jornal de Brasília, ela já pediu ao presidente do BRB, Nelson de Souza, uma política de transparência geral e medidas mais rígidas de governança, incluindo o afastamento de pessoas sob investigação de cargos de chefia e supervisão.
A fala da governadora indica que o futuro do BRB deverá ser tratado em duas frentes: uma de apoio institucional e financeiro, inclusive com interlocução em Brasília e no governo federal, e outra de reorganização interna, para tentar recuperar credibilidade e estabilidade. No centro dessa equação está um banco público que, mais do que um ativo financeiro, passou a ser tratado politicamente como patrimônio estratégico do Distrito Federal.