Brasília recebe fórum nacional para discutir fundos públicos e novas rotas do desenvolvimento

Encontro da ABDE e do Banco do Brasil reúne autoridades, economistas e executivos nos dias 1º e 2 de abril para debater crédito, clima, orçamento e financiamento estratégico

Brasília será sede, nos dias 1º e 2 de abril, da 11ª edição do Fórum do Desenvolvimento, encontro nacional que vai discutir o papel dos fundos públicos e dos instrumentos de fomento no financiamento do crescimento brasileiro. Promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE) e pelo Banco do Brasil, o evento será realizado na Arena do Banco do Brasil, na Asa Norte, e terá como eixo o tema “Da Arquitetura Financeira Internacional aos Fundos Públicos Nacionais: Caminhos para o Desenvolvimento”

Segundo a página oficial do fórum, a proposta é reunir lideranças do setor público, da iniciativa privada e da sociedade civil para um debate estratégico sobre o cenário internacional e sobre o papel transformador dos fundos de políticas públicas, públicos e híbridos, na promoção do desenvolvimento sustentável do país. Em um ambiente marcado por mudanças econômicas, tecnológicas, climáticas e geopolíticas, a organização apresenta o encontro como espaço de formulação e articulação de soluções concretas. 

A programação indica que o fórum pretende ir além de uma discussão técnica restrita ao sistema financeiro. Ao longo de dois dias, os painéis vão tratar de desenvolvimento globalorçamento públicofinanciamento climáticofundos garantidores e da integração do Brasil ao comércio internacional, sempre com o foco em como estruturar melhor o crédito e o investimento de longo prazo. 

Entre os nomes previstos na abertura estão Maria Fernanda Coelho, presidenta da ABDE e diretora do BNDES; José Ricardo Sasseron, vice-presidente de Negócios Governo e Sustentabilidade Empresarial do Banco do Brasil; Luiz Antonio Elias, presidente da Finep; Annette Kilmer, representante do BID no Brasil; e Jochen Quinten, diretor da GIZ Brasil. Ao longo da programação, também participam economistas e especialistas como Laura CarvalhoNelson BarbosaMarco Crocco e representantes de instituições como TCU, Ipea, Caixa, Sebrae, ApexBrasil e Ministério da Fazenda. 

O primeiro dia começa com um painel sobre os desafios do desenvolvimento global em um mundo de maior incerteza, seguido por discussões sobre fundos de políticas públicas e orçamento e sobre instrumentos de financiamento climático, em um debate que parte do custo da inação diante da agenda ambiental. No segundo dia, o foco se desloca para os fundos garantidores como instrumentos de expansão do crédito e para o papel do Sistema Nacional de Fomento na integração do Brasil ao comércio internacional e no apoio à produção nacional. 

O peso do encontro também está no tamanho da rede que ele representa. A ABDE informa que o Sistema Nacional de Fomento reúne 35 instituições financeiras de desenvolvimento, entre bancos públicos federais e estaduais, bancos cooperativos, agências de fomento, Finep e Sebrae. Juntas, essas instituições respondem por 70% do crédito para investimento no Brasil, o que dá ao fórum um caráter estratégico num momento em que o país discute produtividade, transição climática e expansão do financiamento de longo prazo. 

Além dos painéis, a programação inclui o lançamento do Observatório do Crédito Direcionado e do Selo de Reconhecimento FGO, instrumentos voltados à qualificação do debate e da governança do crédito. A organização orienta os interessados a consultar o site oficial do fórum para informações sobre participação e programação atualizada. 

No centro da discussão está uma pergunta que atravessa tanto o setor público quanto o mercado: como financiar o futuro do Brasil em um cenário de juros altos, pressão fiscal, emergência climática e competição global por investimento e inovação. É essa resposta que Brasília tentará começar a construir nesta semana