Celina Leão defende proteção de mulheres e fala sobre Estado mais presente

Vice-governadora afirma que políticas de enfrentamento à violência de gênero só funcionam com estrutura financeira, atendimento humanizado e avaliação permanente dos resultados

A vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que o combate à violência contra a mulher exige mais do que discurso e legislação: depende de investimento público, estrutura estatal e rede de proteção efetiva. A declaração foi dada durante o CB.Debate “O Brasil pelas Mulheres — Formação para uma cultura de proteção”, promovido em Brasília. 

Ao defender o fortalecimento das políticas públicas voltadas às mulheres, Celina foi direta: “O Estado precisa de estrutura financeira para proteger as mulheres”. Na avaliação da vice-governadora, não há como romper o ciclo da violência sem garantir recursos para acolhimento, atendimento e autonomia das vítimas. 

Um dos exemplos citados por ela foi o Aluguel Social do GDF, apontado como ferramenta concreta para ajudar mulheres que permanecem em ambientes violentos por não terem condições financeiras de sair de casa. Segundo Celina, muitas vítimas seguem convivendo com o agressor porque dependem economicamente daquela estrutura doméstica, o que torna programas de apoio financeiro parte central da política de proteção. 

A vice-governadora também destacou medidas voltadas ao atendimento institucional. Entre elas, mencionou o decreto assinado em 2024, que tornou obrigatória a capacitação de servidores da segurança pública sobre violência contra a mulher, com foco em um atendimento mais humanizado e sensível às vítimas. No debate, ela ainda reforçou que a educação e o preparo das instituições são peças essenciais para enfrentar a violência de gênero de forma mais eficaz. 

Relembre o contexto

O tema ganha peso em um momento de pressão crescente por respostas mais robustas do poder público. Em reportagem de março, o Brasil de Fato informou que, segundo dados da SSP-DF, o Distrito Federal registrou 28 feminicídios em 2025 e três casos até janeiro de 2026, números que mantêm o debate sobre prevenção e proteção em alta no DF. 

Dentro desse cenário, Celina anunciou que o IPEDF deve lançar em abril uma pesquisa pública sobre o impacto das políticas para as mulheres no Distrito Federal. Segundo ela, o estudo pretende reunir dados e estatísticas para medir a efetividade das ações já implementadas, inclusive com entrevistas feitas até com feminicidas. A vice-governadora afirmou que o DF será a primeira unidade da federação a realizar um trabalho desse tipo. 

A iniciativa dialoga com esforços que o governo local já vinha sinalizando desde 2024 e 2025, como o mapeamento da violência de gênero e a organização de dados no Observatório de Violência contra a Mulher e Feminicídio, estruturas que buscam dar mais base técnica à formulação de políticas públicas. 

Ao colocar o tema no centro do debate, Celina Leão tenta consolidar uma mensagem política e administrativa: sem dinheiro, sem planejamento e sem avaliação séria, a proteção às mulheres vira promessa vazia. O desafio, agora, é transformar o discurso em política duradoura — e mensurável.