África do Sul fica fora do G7 e acusa pressão dos EUA sobre a França

Presidência sul-africana diz que convite para a cúpula em Evian foi retirado após ameaça americana de boicote, em novo capítulo da crise entre Pretória e Washington

África do Sul afirmou que não participará mais da próxima cúpula do G7 na França após a retirada do convite que, segundo Pretória, teria ocorrido por causa de pressão dos Estados Unidos. A declaração foi feita pelo porta-voz presidencial Vincent Magwenya, que disse que o governo sul-africano foi informado de que Washington ameaçou boicotar o encontro caso o presidente Cyril Ramaphosa fosse convidado. Até o momento, não houve confirmação pública de Paris ou de Washington sobre essa versão. 

O encontro do G7 em Evian-les-Bains está previsto para ocorrer entre 15 e 17 de junho de 2026. Em reportagem publicada nesta quinta-feira, a Reuters informou que a França confirmou como convidados Índia, Coreia do Sul, Brasil e Quênia, sem citar a África do Sul na lista divulgada pelo Eliseu. 

Segundo a leitura do governo sul-africano, o episódio aprofunda a deterioração das relações entre África do Sul e Estados Unidos, que já vinham estremecidas desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Nos últimos meses, Trump fez acusações falsas sobre um suposto “genocídio” contra fazendeiros brancos sul-africanos e também criticou duramente Pretória por sua atuação no caso em que acusa Israel de genocídio na Faixa de Gaza perante a Corte Internacional de Justiça

A tensão não é nova. Em 2025, Trump já havia anunciado boicote ao G20 em Joanesburgo, e a relação bilateral passou a ser marcada por atritos sobre comércio, raça, política externa e o papel sul-africano em fóruns multilaterais. 

Mesmo fora do G7, a Presidência sul-africana afirmou que a decisão não altera a solidez da relação bilateral com a França. Ainda assim, o episódio expõe uma mudança relevante no tabuleiro diplomático: a disputa entre Washington e Pretória já ultrapassa o discurso e começa a afetar diretamente a presença da África do Sul em espaços centrais da política internacional.