Goiás se antecipa ao país e fecha acordo com os EUA para avançar na cadeia de terras raras

Memorando assinado pelo governo estadual prevê estudos técnicos, capacitação e atração de investimentos, enquanto exploração mineral segue sob controle da União

Goiás decidiu se mover antes da definição de uma política nacional e assinou um acordo com os Estados Unidos para desenvolver a cadeia de terras raras no estado. O memorando, firmado durante um fórum em São Paulo, abre caminho para estudos técnicosformação de mão de obra e atração de investimentos, em uma área estratégica que ganha cada vez mais peso na disputa global por minerais críticos.

A iniciativa partiu do governo de Ronaldo Caiado em um momento em que o Brasil ainda não consolidou diretrizes nacionais para o setor. Na prática, o acordo posiciona Goiás na dianteira de um tema considerado sensível tanto do ponto de vista econômico quanto geopolítico. O objetivo do estado é claro: estruturar uma base de conhecimento e de ambiente de negócios capaz de acelerar o aproveitamento futuro das terras raras em Goiás.

Segundo o governo goiano, o memorando não interfere na competência constitucional da União sobre o subsolo e a exploração mineral. A atuação do estado, de acordo com o diretor do Instituto Mauro BorgesErik Figueiredo, concentra-se na dimensão econômica da atividade, com foco em preparar a cadeia produtiva para receber investimentos e gerar valor agregado.

O acordo também prevê o apoio externo em pesquisas geológicas e mapeamento técnico, com a promessa de tornar públicas as informações ao fim dos estudos. Esse ponto, no entanto, provocou desconforto em Brasília. Interlocutores do Governo Federal, segundo relatos citados no debate, avaliam que Goiás se antecipou em um assunto ainda em discussão no Executivo e no Congresso, especialmente em um contexto de forte sensibilidade política.

Mais do que ampliar conhecimento sobre o potencial mineral, a estratégia do estado busca ir além da simples extração. O plano inclui etapas como separação de elementosprodução de ligas metálicas e desenvolvimento de uma estrutura industrial ligada às terras raras, sinalizando uma tentativa de inserir Goiás em um elo mais sofisticado da cadeia global desses minerais.

O movimento também faz parte de uma agenda mais ampla de aproximação internacional. Goiás já havia firmado parceria semelhante com o Japão e agora negocia um novo acordo com a Coreia do Sul, reforçando uma política de atração de capital e tecnologia para um setor visto como promissor.

No fim, o memorando com os EUA revela uma ambição dupla: transformar Goiás em protagonista no debate sobre minerais críticos no Brasil e garantir que o estado não espere, passivamente, a definição de regras nacionais para começar a se preparar. Em um setor onde tempo, informação e posição estratégica contam muito, sair na frente pode significar quase tudo.