Norte concentra alertas sobre sexualidade e sofrimento emocional entre adolescentes

Pesquisa do IBGE revela desigualdades regionais em saúde sexual, segurança, uso de drogas e saúde mental entre estudantes de 13 a 17 anos

A nova edição da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) acendeu um alerta sobre a realidade dos adolescentes brasileiros. Divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (25), o levantamento mostra que temas como saúde sexualuso de drogassegurança escolar e saúde mental dos adolescentes seguem distribuídos de forma desigual pelo país, com sinais especialmente preocupantes em alguns estados do Norte. A pesquisa ouviu mais de 118 mil estudantes de 13 a 17 anos, de escolas públicas e privadas, em 1.282 cidades brasileiras, com questionário sigiloso e autoaplicável. 

No recorte por estados, a região Norte aparece com os indicadores mais elevados em temas ligados à sexualidade e à violência sexual. Segundo a reportagem baseada nos dados da PeNSE, o Amazonas lidera tanto no percentual de estudantes que disseram já ter tido relação sexual, com 40,6%, quanto no de adolescentes que relataram já ter sido ameaçados, intimidados ou obrigados a manter relação ou ato sexual contra a própria vontade, com 14%. O Amapátambém aparece entre os estados com índices mais altos nesses dois quesitos. 

Os dois estados também chamam atenção quando o foco se desloca para a saúde mental na adolescência. O Amapálidera, seguido pelo Amazonas, nos indicadores de adolescentes que relataram vontade de se machucar de propósito e entre aqueles que disseram sentir que ninguém se preocupava com eles na maior parte do tempo ou sempre. Em escala nacional, a PeNSE mostrou que o sofrimento emocional tem peso expressivo, especialmente entre meninas, e que a sensação de que “a vida não vale a pena ser vivida” atinge proporção bem maior entre elas. 

Na área de segurança nas escolas, o Amazonas volta a aparecer em posição crítica. Segundo o levantamento citado pela reportagem, 17,7% dos estudantes do estado afirmaram ter faltado à aula por não se sentirem seguros na escola nos 30 dias anteriores à pesquisa. Logo atrás aparece o Rio de Janeiro, com 17,6%, em um contexto em que a violência urbana também impacta diretamente a rotina escolar. 

Outro dado que chama atenção é o do uso de drogas ilícitas entre adolescentes. No indicador de experimentação ao menos uma vez na vida, o Distrito Federal aparece na liderança, com 12,2%, seguido por Rio Grande do Sul (11,4%) e Espírito Santo (10,5%). O quadro reforça que os desafios vividos pelos adolescentes brasileiros mudam de intensidade conforme o território e exigem respostas públicas mais ajustadas às realidades locais.