Gastos com viagens a serviço somam R$ 7 bilhões no governo Lula — valor é o maior em uma década

Apesar de leve queda em 2025, despesas com deslocamentos superam as de governos anteriores e levantam debate sobre controle de gastos públicos

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembolsou R$ 7 bilhões com viagens a serviço nos três primeiros anos do seu terceiro mandato, de acordo com dados do Portal da Transparência. O montante, que reúne despesas de todos os ministérios e órgãos federais, não inclui os deslocamentos feitos diretamente pelo presidente, mas revela um padrão de gastos elevado com passagens, diárias e serviços relacionados a viagens oficiais.

Em 2025, o total gasto com esse tipo de deslocamento foi de R$ 2,35 bilhões, uma redução de apenas 1% em relação ao recorde de 2024, quando o volume chegou a R$ 2,37 bilhões. Ainda assim, a média anual do atual mandato permanece superior à dos governos anteriores.

Padrão elevado de gastos

A quantia acumulada desde 2023 já supera os R$ 6,2 bilhões gastos com viagens de 2017 a 2022 — período que incluiu o governo Michel Temer e o mandato de Jair Bolsonaro. É importante destacar que os anos de 2020 e 2021, afetados pela pandemia de Covid-19, registraram forte queda nos deslocamentos e, consequentemente, nos gastos — com um piso de R$ 545 milhões em 2020.

De 2015 a 2025, o total desembolsado com viagens a serviço chegou a R$ 16,1 bilhões, consolidando esse tipo de despesa como um dos principais custos logísticos da máquina pública.

Quem mais gastou

Entre os órgãos que mais gastaram com viagens em 2025 estão os ministérios da Justiça, da Defesa e da Educação, que lideram o ranking de despesas. As viagens nacionais representaram a maior parte do total, com R$ 2,079 bilhões, enquanto os deslocamentos internacionais responderam por R$ 276 milhões.

Os destinos mais frequentes incluíram São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Paraná e Pará — este último, sede da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro. Já estados como Sergipe, Amapá, Acre, Alagoas e Espírito Santo estiveram entre os menos visitados por representantes do Executivo.

O que dizem os dados

O levantamento considera uma série de rubricas como passagens, diárias, restituições, taxas de agenciamento e outros serviços logísticos. Segundo especialistas em administração pública, os números evidenciam a necessidade de monitoramento contínuo da eficiência no uso dos recursos públicos.

Apesar de parte dessas viagens estar ligada a compromissos internacionais, agendas institucionais e eventos de representação, o volume de recursos levanta questionamentos sobre o impacto fiscal e a priorização de gastos em meio a um cenário econômico ainda pressionado.

Debate público

Para setores da oposição, os números confirmam um padrão de gasto elevado e pouco transparente. Já integrantes do governo argumentam que o aumento da presença institucional — inclusive internacional — faz parte da estratégia diplomática e de retomada do protagonismo brasileiro em foros multilaterais, como a COP30 e o G20.

Ainda assim, o tema volta ao centro do debate público, especialmente em um momento em que o próprio Executivo admite a necessidade de conter despesas e “apertar o cinto” diante de frustrações na arrecadação e limitações orçamentárias.

O Brasiliense segue acompanhando o impacto dos gastos federais sobre o planejamento fiscal e os desdobramentos desse debate em 2026.