Visto, Bolsonaro e retaliação: crise entre Lula e Trump ganha novo personagem

Darren Beattie, recém-nomeado para acompanhar a política dos EUA em relação ao Brasil, vira pivô de embate entre Planalto, STF e Casa Branca

O nome de Darren Beattie entrou de vez no centro da crise entre Lula e Trump. Recém-nomeado para uma função sênior no Departamento de Estado ligada ao Brasil, o assessor americano virou alvo de reação imediata do governo brasileiro depois de tentar incluir, em sua agenda, uma visita a Jair Bolsonaro na prisão. 

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A escolha de Beattie já carregava tensão antes mesmo da viagem. A Reuters informou que ele foi designado no fim de fevereiro para uma posição estratégica na política dos EUA em relação ao Brasil e que seu histórico inclui críticas duras ao governo Lula e ao ministro Alexandre de Moraes. Ou seja: sua atuação já era observada com desconfiança por setores do governo brasileiro. 

A situação se agravou quando a defesa de Bolsonaro pediu autorização para que o ex-presidente recebesse o assessor americano na prisão. Moraes chegou a autorizar a visita em um primeiro momento, mas recuou depois de informações prestadas pelo Itamaraty. O chanceler Mauro Vieira informou ao Supremo que o representante americano não tinha compromissos formais com autoridades brasileiras e que a visita poderia ser interpretada como interferência política. 

Em paralelo, Lula elevou o tom e disse que Beattie não entrará no Brasil enquanto os EUA não resolverem a situação do visto de Alexandre Padilha e de sua família. A medida é lida como uma resposta política direta à postura americana e ao histórico recente de punições e restrições de visto impostas a autoridades brasileiras. 

No fim, Beattie se transformou em mais do que um assessor de passagem. Virou símbolo de um embate mais amplo entre os dois países — um embate que envolve Bolsonaro, STF, sanções, vistos e soberania diplomática