Renderizações divulgadas nas redes mostram arranha-céu à beira da Baía de Biscayne; fundação ligada ao projeto prevê arrecadar quase US$ 1 bilhão até 2027
Donald Trump divulgou nesta semana as primeiras imagens de seu projeto de biblioteca presidencial em Miami, na Flórida, com uma proposta visual grandiosa: uma torre de vidro com seu sobrenome no topo, uma estátua dourada com o punho erguido, réplica do Salão Oval, salão de festas inspirado na Casa Branca e um avião exibido no interior do complexo. As imagens foram compartilhadas em vídeo nas redes sociais e no site da futura biblioteca.
Segundo a Reuters, o material divulgado é um vídeo gerado por inteligência artificial, e ainda não há um projeto arquitetônico detalhado tornado público. Mesmo assim, as renderizações já indicam a escala ambiciosa do empreendimento: um arranha-céu à beira-mar, com entrada dourada, escadas rolantes, aeronaves militares em exibição e uma grande estátua de Trump em pose desafiadora.
De acordo com a Associated Press e a NPR, o terreno escolhido fica no centro de Miami, em uma área de cerca de 2,6 acres — pouco mais de 10 mil metros quadrados — doada no ano passado pelo Miami Dade College à fundação da biblioteca. O local, anteriormente usado como estacionamento, foi avaliado em mais de US$ 67 milhões e fica próximo à Freedom Tower, um dos marcos históricos da cidade.
A biblioteca foi creditada ao escritório Bermello Ajamil, com sede em Miami. A AP informa que o nome da empresa aparece nas renderizações divulgadas por Trump, enquanto a NPR relata que um dos arquitetos confirmou que o projeto foi concebido para se tornar um ícone da paisagem urbana local.
Entre os elementos mais chamativos do projeto está um avião semelhante ao Air Force One, exibido no lobby do edifício. A Reuters e a NPR observam que a peça parece remeter ao jato de luxo aceito pelo governo Trump do Catar no ano passado, e que o próprio entorno do projeto foi pensado como uma vitrine visual da presidência e da marca Trump.
No campo financeiro, a fundação ligada à biblioteca projeta uma arrecadação de quase US$ 1 bilhão até o fim de 2027, segundo documentos fiscais citados por veículos internacionais. As estimativas apontam para cerca de US$ 50 milhões em 2025, US$ 300 milhões em 2026 e US$ 600 milhões em 2027, valores que colocariam o projeto em um patamar de captação superior ao de vários presidentes recentes em fases equivalentes. Parte desse caixa já teria sido reforçada por acordos judiciais com empresas de mídia e tecnologia, como ABC News, Meta e CBS/Paramount.
A NPR lembra que bibliotecas presidenciais nos Estados Unidos costumam ser financiadas por doações privadas e, em muitos casos, depois passam à administração da National Archives and Records Administration (NARA). No caso do projeto de Trump, ainda há dúvidas sobre cronograma, governança e execução final da obra, mas o vídeo já deixou claro o tom pretendido: mais do que um arquivo histórico, a biblioteca quer se apresentar como um monumento de forte apelo visual e político.