Levantamento do IBGE traça um retrato amplo da vida dos estudantes e aponta diferenças marcantes entre os estados
A PeNSE 2024 oferece um retrato abrangente da vida dos adolescentes brasileiros e confirma que a escola continua sendo um espaço importante para entender o que acontece fora da sala de aula. O estudo do IBGE investiga fatores de risco e proteção ligados à saúde dos estudantes, incluindo alimentação, violência, saúde mental, atividade física, segurança, sexualidade e consumo de substâncias. Para o instituto, esses comportamentos importam porque muitos hábitos e vulnerabilidades da adolescência tendem a persistir na vida adulta.
Entre os recortes que mais chamam atenção está o da saúde sexual dos adolescentes. No levantamento por unidades da federação, estados do Norte concentram os índices mais altos de estudantes que relataram já ter tido relação sexual e também os maiores percentuais de jovens que disseram já ter sido forçados a algum ato sexual. O Amazonas aparece no topo nos dois indicadores, enquanto o Amapá também figura entre os estados com situação mais delicada.
O estudo também aponta sinais fortes de sofrimento emocional. Em cobertura oficial do IBGE, a pesquisa mostrou que indicadores de tristeza, irritação, nervosismo e perda da vontade de viver atingem especialmente as meninas. No recorte estadual destacado pela imprensa, Amapá e Amazonas também aparecem entre os estados com piores resultados em relatos de vontade de se machucar e de solidão. Isso ajuda a reforçar a percepção de que a saúde mental dos adolescentes precisa ser tratada como eixo central das políticas públicas.
Na dimensão da segurança escolar, a pesquisa mostra que o medo também interfere no direito à educação. O Amazonaslidera no percentual de estudantes que disseram não ter ido à escola por falta de segurança no ambiente escolar, seguido muito de perto pelo Rio de Janeiro. São dados que aproximam a discussão sobre educação da discussão sobre proteção, território e violência cotidiana.
Já no campo do uso de drogas por adolescentes, o Distrito Federal lidera no indicador de estudantes que relataram já ter experimentado drogas ilícitas alguma vez na vida. O dado coloca o DF no centro de uma discussão que passa por prevenção, ambiente escolar, saúde pública e contexto social.
No conjunto, a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostra que a adolescência brasileira é atravessada por desafios muito diferentes conforme o estado, o gênero e o contexto de vida. Mais do que uma fotografia estatística, a PeNSE entrega um mapa de urgências que ajuda a identificar onde o poder público precisa agir com mais rapidez e precisão.