Relatório da CPMI do INSS pede indiciamento de Nelson Wilians e Anne Wilians

Deputado Alfredo Gaspar inclui casal entre 216 investigados e aponta, no documento final, suspeitas de lavagem de dinheiro e atuação em organização criminosa ligada a fraudes contra aposentados

O relatório final da CPMI do INSS, apresentado nesta sexta-feira pelo deputado Alfredo Gaspar, pediu o indiciamento de 216 investigados por suposto envolvimento em um esquema de fraudes bilionárias contra aposentados. Entre os nomes citados no documento estão o advogado Nelson Wilians Fratoni Rodrigues e a advogada Anne Carolline Wilians Vieira Rodrigues.

Segundo o relatório, o casal aparece vinculado a uma estrutura financeira que teria sido usada para movimentar recursos oriundos do esquema investigado. O documento atribui a Nelson Wilians a suspeita de ter atuado, em parceria com Maurício Camisotti, para lavar parte do dinheiro desviado. Camisotti é apontado pelo texto como um dos líderes do esquema e, de acordo com o relatório, está preso pela Polícia Federal em São Paulo, onde negociaria um acordo de delação premiada.

Ao detalhar a atuação de Nelson Wilians, o relator afirma haver “múltiplos indícios” de que ele teria operado, por meio de contas pessoais e jurídicas a ele ligadas, em alinhamento com Camisotti, para dar fluidez financeira aos valores investigados. A acusação, no entanto, consta do relatório parlamentar e ainda dependerá da análise dos órgãos competentes.

No caso de Anne Carolline Wilians, o documento afirma que ela integraria o que o relator chama de “núcleo financeiro e de branqueamento de capitais” da suposta organização criminosa. O texto sustenta que a advogada teria sido beneficiária de repasses considerados vultosos e sem causa econômica lícita, segundo a interpretação da investigação parlamentar.

O relatório também descreve Anne como peça central na estrutura financeira associada a Nelson Wilians e ao sócio Fernando Cavalcanti. De acordo com o documento, essa engrenagem teria sido usada para garantir a circulação de recursos ligados ao esquema dos descontos indevidos em aposentadorias pagas pelo INSS.

A apresentação do relatório marca uma nova etapa no caso, mas não representa condenação automática dos citados. O pedido de indiciamento formulado pela CPMI tem caráter de encaminhamento e poderá subsidiar a atuação de órgãos como o Ministério Público e a Polícia Federal, responsáveis por avaliar eventuais medidas judiciais e criminais.

O material encaminhado não traz o posicionamento da defesa de Nelson Wilians e Anne Wilians sobre as conclusões do relatório.