Pretória diz que convite foi retirado por exigência dos EUA e transforma a cúpula de junho em mais um símbolo da tensão geopolítica entre Trump e Ramaphosa
A exclusão da África do Sul da próxima cúpula do G7 virou mais um capítulo da crescente tensão diplomática entre Cyril Ramaphosa e Donald Trump. De acordo com a Presidência sul-africana, a França retirou o convite ao país depois de sofrer “pressão contínua” dos Estados Unidos, que teriam ameaçado não comparecer ao encontro se Pretória estivesse entre os convidados. A informação foi atribuída pelo governo sul-africano a uma comunicação recebida diretamente dos franceses.
A versão sul-africana ganha peso político porque surge no mesmo dia em que a Reuters informou que o Eliseu convidou formalmente Brasil, Índia, Coreia do Sul e Quênia para a reunião do G7, deixando de fora a África do Sul. A cúpula será realizada em Evian-les-Bains, em junho, em um contexto internacional já pressionado por guerras, disputas comerciais e questionamentos sobre o papel das potências ocidentais.
O pano de fundo do mal-estar é amplo. Desde o ano passado, Trump vem atacando o governo sul-africano com alegações falsas sobre perseguição racial contra fazendeiros brancos e com críticas à política externa de Pretória, especialmente sua ação contra Israel na CIJ. A própria Reuters registrou que as acusações de “genocídio branco” feitas por Trump foram desmentidas pelos fatos e rejeitadas pelo governo sul-africano.
Além disso, a relação entre os dois países já vinha abalada por decisões americanas de isolamento político. Em 2025, Trump boicotou a cúpula do G20 na África do Sul, gesto que se somou a outras medidas de pressão e ajudou a consolidar a percepção de que Pretória havia se tornado alvo preferencial da nova política externa americana.
O caso do G7, portanto, não é apenas um incidente protocolar. Ele revela como a disputa entre EUA e África do Sulcomeça a produzir efeitos concretos na diplomacia multilateral. E expõe também uma França pressionada a equilibrar sua autonomia internacional com os custos políticos de contrariar Washington. Até agora, nem o Eliseu nem o Departamento de Estado comentaram oficialmente a acusação sul-africana.