Autoridades americanas acusam dupla de difundir propaganda alinhada ao regime iraniano enquanto mantinha vida de luxo em território dos Estados Unidos
Os Estados Unidos confirmaram a prisão de duas mulheres identificadas como parentes do general iraniano Qassem Soleimani, morto em 2020, em um caso que volta a tensionar a relação entre Washington e Teerã. As detidas são Hamideh Soleimani Afshar, apontada como sobrinha do ex-comandante da Força Quds, e sua filha, descrita pelas autoridades como sobrinha-neta do militar.
Segundo o governo americano, ambas foram presas em solo norte-americano depois que o secretário de Estado, Marco Rubio, determinou a revogação de suas autorizações de residência permanente. As duas permanecem sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e aguardam deportação.
Afshar, de 47 anos, vivia em Los Angeles e, de acordo com o Departamento de Estado, mantinha atuação ativa nas redes sociais com publicações alinhadas à narrativa oficial do regime iraniano. As autoridades afirmam que ela não apenas replicava mensagens favoráveis a Teerã, mas também acrescentava comentários próprios, celebrando ataques contra soldados e bases americanas no Oriente Médio e se referindo aos Estados Unidos como “Grande Satã”, expressão historicamente associada ao discurso da liderança iraniana.
Ao justificar a medida, Rubio afirmou que Afshar “celebrou ataques contra americanos” e usou as redes para defender posições hostis aos Estados Unidos. O secretário também destacou o que classificou como contradição entre o discurso político da dupla e o padrão de vida que mantinham no país.
Entre os conteúdos citados por Washington estão mensagens em que Afshar elogiava as capacidades militares do Irã, compartilhava publicações sobre divisões internas da política americana no contexto do conflito e endossava ameaças contra iranianos exilados classificados como “traidores”. Em outras postagens, segundo as autoridades, ela defendia punições a opositores e divulgava imagens e charges contra nomes da oposição iraniana no exterior, entre eles Reza Pahlavi, retratado como aliado de potências estrangeiras.
O governo americano também afirma que Afshar amplificava anúncios ligados à cúpula iraniana, incluindo referências à ascensão de Mojtaba Khamenei, combinando essas mensagens com conteúdo de tom religioso e nacionalista.
Outro ponto enfatizado pelas autoridades foi o contraste entre a retórica política e o estilo de vida exibido nas redes. Segundo o Departamento de Estado, Afshar compartilhava imagens em ambientes sofisticados nos Estados Unidos, usando roupas de grife, joias e registrando experiências como passeios de helicóptero e consumo de bebidas premium. Para Washington, esse contraste ajudaria a sustentar a acusação de “duplo padrão”.
A prisão reacende o embate político entre Estados Unidos e Irã em um momento de nova sensibilidade diplomática. Mais do que um caso migratório, o episódio foi apresentado por Washington como uma ação com peso simbólico: o de impedir que pessoas ligadas ao círculo de um dos principais nomes militares iranianos permaneçam no país enquanto, segundo a acusação, defendem publicamente o regime de Teerã.


