O cerco apertou: DF registra 448 prisões em ofensiva contra crimes de violência de gênero

Ações coordenadas pelo Governo Federal e pelas forças de segurança do Distrito Federal reforçam o Pacto contra o Feminicídio e ampliam a pressão sobre agressores

O Distrito Federal entrou no radar de uma das maiores mobilizações recentes de combate à violência contra mulheres no país. Nas últimas semanas, 448 pessoas foram presas no DF em operações articuladas pelo Governo Federal com apoio das forças de segurança, em uma ofensiva que mira agressores, dá musculatura ao Pacto contra o Feminicídio e tenta encurtar a distância entre denúncia, proteção e responsabilização. 

Do total de prisões no Distrito Federal, 439 ocorreram na Operação Mulher Segura, realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março, enquanto outras 9 prisões foram efetuadas pela Operação Alerta Lilás II, conduzida pela Polícia Rodoviária Federal entre 9 de fevereiro e 5 de março, em cumprimento de mandados ligados a crimes contra mulheres. O resultado local ajuda a dar dimensão de uma estratégia nacional que tenta agir em várias frentes ao mesmo tempo: repressão, prevenção e proteção. 

No plano nacional, a ofensiva terminou com 5.238 suspeitos presos por crimes relacionados à violência de gênero. Desse total, 4.936 prisões foram registradas na Operação Mulher Segura — sendo 3.199 em flagrante e 1.737 por mandados — enquanto a Alerta Lilás somou 302 prisões ligadas a flagrantes e ordens judiciais. Os números mostram que o enfrentamento ao feminicídio e à violência doméstica passou a ocupar uma faixa mais agressiva da política de segurança pública federal. 

A engrenagem dessa mobilização foi ampla. Coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, a Operação Mulher Segura reuniu forças de segurança de 26 unidades da Federação, mobilizou 38.564 agentes14.796 viaturas e alcançou 2.050 municípios. Ao longo de 15 dias, foram feitas 42.339 diligências, com 18.002 medidas protetivas acompanhadas e 24.337 vítimas atendidas — um retrato de que a ação não ficou restrita à prisão, mas avançou também sobre o acompanhamento das mulheres em situação de risco. 

Na frente preventiva, o governo informou a realização de 1.802 campanhas de conscientização, que alcançaram 2,2 milhões de pessoas, além da destinação de cerca de R$ 2,6 milhões para reforçar o efetivo empregado nas ações. A operação também integra o Projeto VIPS – Vulnerabilizados Institucionalmente Protegidos e Seguros, voltado à proteção de grupos vulnerabilizados. O recado é claro: o combate à violência contra a mulher não está sendo tratado apenas como caso de polícia, mas como política pública de escala nacional. 

Paralelamente, a PRF colocou na rua a maior ação de sua história voltada à proteção de mulheres. Na segunda fase da Operação Alerta Lilás, a corporação cumpriu 302 mandados de prisão entre 9 de fevereiro e 5 de março. Segundo a PRF, as ordens executadas estiveram ligadas principalmente a casos de pensão alimentíciaestupro, inclusive contra vulneráveis, e descumprimento de medida protetiva

As ações se conectam ao Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, cujo plano de trabalho foi apresentado em 4 de março de 2026. Entre as medidas anunciadas estão um mutirão nacional para cumprir cerca de mil mandados de prisão de agressores, a criação de um Centro Integrado Mulher Segura, o uso de rastreamento eletrônico para agressores e a implantação de 52 unidades móveis de atendimento para mulheres em situação de violência. 

No fim das contas, os 448 presos no DF representam mais do que uma estatística expressiva. Eles simbolizam a tentativa de transformar o enfrentamento ao feminicídio, à violência doméstica e aos crimes contra mulheres em uma política de resposta rápida e coordenada. O desafio, agora, é fazer com que o impacto das prisões se converta em algo mais duradouro: proteção real, acolhimento contínuo e menos mulheres vivendo sob ameaça.