Nova jornada, velha preocupação: setor produtivo teme custo maior e menos fôlego para crescer

Seminário em Brasília discute modernização do trabalho sob a ótica de comércio, serviços e sustentabilidade dos pequenos negócios

A palavra “modernização” costuma soar promissora. Mas, no debate sobre a jornada de trabalho, ela vem acompanhada de outra bem menos sedutora para o empresariado: custo. É com esse pano de fundo que Brasília recebe, nesta terça-feira, o seminário Modernização da Jornada de Trabalho, reunindo parlamentares e representantes de entidades empresariais para medir os impactos econômicos de mudanças na organização das horas e dias trabalhados. O evento será realizado às 9 horas, no Edifício ION, na Asa Norte. 

Para o setor de comércio e serviços, a preocupação é objetiva. Negócios que dependem de escala, atendimento contínuo e equipes enxutas podem sentir com mais força qualquer alteração feita sem transição ou compensação de produtividade. Pela CACB, o vice-presidente Márcio Luís da Silva levará ao debate justamente o olhar das micro e pequenas empresas, segmento que costuma absorver primeiro o impacto de mudanças legais e econômicas. 

O alerta não nasceu agora. Em reunião anterior com parlamentares e lideranças empresariais, a CACB registrou preocupação com o possível aumento do custo da mão de obra, com a pressão inflacionária nos serviços e com a ampliação da informalidade. A entidade também informou ter aderido, com outras 105 organizações, a um manifesto que pede maturidade no debate e alerta para efeitos sobre competitividade e produtividade

No fundo, a pergunta que paira sobre o seminário é simples e incômoda: como reduzir ou reorganizar a jornada sem comprometer emprego, preço e operação? A resposta ainda está longe do consenso, mas já há um dado claro: no Brasil real, qualquer mexida no relógio do trabalho mexe também no caixa das empresas.