Nova fase inclui wellness, real estate e hospitalidade de luxo, com projetos que reposicionam a grife além da alfaiataria premium
A marca Ricardo Almeida entra em um novo capítulo ao transformar sua assinatura em algo maior do que moda: um ecossistema de desejo. As novas frentes anunciadas — a ALMA KAN, em São Paulo, e o Hotel Ricardo Almeida, em Alagoas — reforçam uma estratégia em que o nome do estilista passa a ocupar também os territórios de bem-estar, hospitalidade e imobiliário de luxo.

O projeto da ALMA KAN tem forte apelo urbano e contemporâneo. Localizada na Rua Estados Unidos, nos Jardins, a casa foi desenhada para atuar como clube de bem-estar, com uma curadoria de experiências que vai de terapias energéticas a práticas físicas e rituais de recuperação corporal. O espaço também servirá de vitrine para as linhas Kan e Natural Kan, ampliando a presença da marca em produtos ligados a athleisure, corpo e suplementação.

Já o empreendimento em Alagoas leva o nome da marca para um plano de escala maior. De acordo com as reportagens, o Hotel Ricardo Almeida não será apenas um hotel, mas um complexo com hotel, condomínio e fazenda, concebido para oferecer uma experiência integrada de moradia, hospedagem e estilo de vida. O projeto vem sendo maturado há cerca de quatro anos e ainda não teve as obras iniciadas, mas já é tratado como a estreia oficial da grife na hospitalidade de luxo.
Leia mais: Ricardo Almeida troca a passarela pelo território do lifestyle e mira o mercado de hospitalidade
Um dos pilares desse complexo será a sustentabilidade aplicada ao luxo. A fazenda do projeto foi pensada para abastecer todo o empreendimento com energia solar e operar com reúso de água, combinando sofisticação com autossuficiência. Em um setor em que sustentabilidade virou parte do discurso premium, o detalhe não é periférico — é central para o posicionamento do negócio.

Essa mudança também ajuda a explicar o momento da marca. Após décadas associada à alfaiataria masculina elegante, Ricardo Almeida parece avançar para um modelo em que o cliente não compra apenas roupa, mas um repertório inteiro de vida: vestir, cuidar do corpo, hospedar-se, circular e pertencer. É a lógica da marca que deixa de vender só produto para vender ambiente, experiência e identidade.
Se o plano der certo, Ricardo Almeida deixará de ser apenas um nome forte da moda brasileira para se consolidar como uma lifestyle brand de luxo com ambição mais ampla. E, nesse novo mapa, o terno sob medida passa a ser apenas o começo da jornada.