Exposição em Brasília propõe reflexão sobre padrões de beleza, controle social e o corpo feminino

Com curadoria de Rogério Carvalho, mostra de Akimi Watanabe parte da tradição dos “Pés de Lótus” para discutir as pressões contemporâneas sobre identidade, pertencimento e validação social

A artista nipo-brasileira Akimi Watanabe, radicada em Brasília e filha de pioneiros japoneses na capital, apresenta uma nova exposição que convida o público a refletir sobre os mecanismos históricos e contemporâneos de controle do corpo feminino. Com curadoria de Rogério Carvalho, a mostra parte da tradição chinesa dos “Pés de Lótus” para ampliar o debate sobre os padrões de beleza, as imposições sociais e os limites da autonomia individual.

A prática, associada durante séculos a ideias de status, elegância e distinção social, é utilizada pela artista como ponto de partida para uma pergunta central: até que ponto aceitamos ser moldados pelas estruturas sociais? A exposição propõe um paralelo entre esse episódio histórico e os modelos de comportamento, aparência e validação que seguem presentes na contemporaneidade.

Ao longo de quatro anos de pesquisa, Akimi Watanabe desenvolveu uma produção artística robusta para construir essa narrativa. O conjunto reúne 100 desenhos em nanquim sobre algodão, 60 desenhos em nanquim sobre papel, cinco colagens digitais, três instalações, além de objetos e esculturas. A partir dessas obras, a artista conduz o visitante por uma reflexão sobre pertencimento, conformidade e os impactos simbólicos das exigências impostas ao corpo.

Mais do que revisitar uma tradição do passado, a mostra amplia o debate para o presente. A proposta é provocar o público a identificar quais seriam os “pés de lótus” da pós-modernidade, em um contexto marcado pela influência das redes sociais, pela força dos padrões estéticos inalcançáveis, pela lógica da validação externa e por diferentes estruturas culturais que ainda condicionam corpos, escolhas e modos de vida.

A exposição também dialoga com discussões mais amplas sobre o silenciamento histórico das mulheres. Nesse sentido, a frase da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia — “não fomos silenciosas, fomos silenciadas”— ecoa como uma chave de leitura para a obra, reforçando a ideia de que o corpo da mulher segue sendo, ao longo dos séculos, um espaço de disputa simbólica, cultural e política.

Com uma abordagem sensível e crítica, a obra de Akimi Watanabe transforma memória histórica em instrumento de reflexão contemporânea e convida o público a questionar até onde vai a construção da identidade individual diante das formas que o mundo insiste em impor.

O evento de abertura da exposição será realizado no dia 9 de abril, às 19h.

SERVIÇO
Exposição: Verdade Moldada
Artista: Akimi Watanabe
Local: Espaço Oscar Niemeyer
Data: de 9 de abril a 12 de maio
Horário: De terça a sexta — das 9h às 18h/ Sábado domingo — das 9h às 17h