Entre o relógio e a produtividade: Brasília vira palco da disputa sobre a nova jornada de trabalho

Seminário reúne parlamentares e entidades empresariais para debater os efeitos da modernização da jornada, com foco nos impactos sobre comércio, serviços e micro e pequenas empresas

Brasília recebe nesta terça-feira, 10 de março, um debate que promete ecoar muito além do auditório. O seminário Modernização da Jornada de Trabalho, organizado pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo, colocará frente a frente parlamentares e representantes do setor produtivo para discutir um tema que ganhou musculatura no Congresso e no mercado: como redesenhar o tempo de trabalho sem sufocar a produtividade, o emprego e a competitividade. O encontro está marcado para as 9 horas, no auditório do Edifício ION, na Asa Norte. 

A discussão chega em um momento de forte sensibilidade para empresários e trabalhadores. No centro da mesa estarão os possíveis efeitos de propostas que alteram horas e dias de trabalho, com reflexos diretos em setores que operam no compasso do atendimento contínuo, da escala e da margem apertada — como comércio e serviços. Pela CACB, quem participa é o vice-presidente Márcio Luís da Silva, que deve concentrar sua fala no impacto das mudanças para micro e pequenas empresas, justamente o grupo mais vulnerável a aumentos de custo e reorganizações bruscas da rotina operacional. 

Mais do que um seminário, o encontro em Brasília funciona como um termômetro de uma discussão que já vinha sendo aquecida nos bastidores. No último dia 4, lideranças empresariais e deputados da Frente Parlamentar de Comércio e Serviços voltaram a discutir propostas ligadas à redução da escala de trabalho e ao teto do Simples Nacional. Na ocasião, a CACB informou ter assinado, com outras 105 entidades do setor produtivo, um manifesto que considera o debate legítimo, mas defende cautela diante dos possíveis efeitos sobre competitividade, produtividade e qualidade dos empregos

O argumento do setor produtivo é claro: qualquer mudança na jornada de trabalho precisa ser tratada com responsabilidade e visão sistêmica. Segundo o debate já registrado pela CACB, há preocupação com o aumento do custo da mão de obra, a pressão sobre preços no setor de serviços e o risco de ampliação da informalidade caso a mudança seja feita sem calibragem econômica. Em outras palavras, a conta pode não fechar para quem está na ponta — especialmente os pequenos negócios, que empregam, giram renda e sustentam boa parte da economia urbana. 

A programação do seminário reflete esse peso político e econômico. Após a abertura, o evento terá um painel sobre agro e indústria às 9h30 e, depois, um painel sobre comércio e serviços às 10h45, com encerramento previsto para 12h30. A expectativa é que o encontro ajude a consolidar posições e empurre a discussão para um terreno menos emocional e mais prático: o de saber como modernizar a jornada de trabalho no Brasil sem transformar a intenção em efeito colateral

Serviço: Seminário Modernização da Jornada de TrabalhoData: 10 de março de 2026. Horário: 9h. Local:Auditório do Edifício ION, SGAN Q 601, Asa Norte, Brasília.