Cristiano Araújo deixa a Setur-DF e encerra um ciclo que reposicionou Brasília no mapa dos grandes eventos

Secretário se despediu da pasta nesta sexta-feira, 28 de março, após uma gestão marcada pela valorização da capital, pela força do turismo de experiência e pela projeção política de seu nome no Distrito Federal

Por Redação O Brasiliense – Foto: Reprodução Instagram

Brasília se acostumou, nos últimos anos, a disputar atenção não apenas pelo peso institucional de ser a capital da República, mas pela capacidade crescente de se vender como destino, palco e experiência. Parte dessa virada passou pelas mãos de Cristiano Araújo, que se despediu nesta sexta-feira, 27 de março, da Secretaria de Turismo do Distrito Federal, encerrando um dos capítulos mais simbólicos da gestão de Ibaneis Rocha.

Sua saída não é apenas administrativa. Ela tem o tamanho das transições que reorganizam o poder local. Ao deixar a pasta, Cristiano fecha um ciclo em que ajudou a recolocar Brasília no radar nacional e internacional, apostando em grandes shows, eventos de projeção, fortalecimento da imagem da cidade e uma narrativa mais ambiciosa para o turismo da capital.

Em governos, há secretários que ocupam cargos. E há os que moldam uma agenda. Cristiano Araújo pertenceu ao segundo grupo. Sua passagem pela Setur foi marcada por uma tentativa clara de romper com a velha leitura de Brasília como cidade de passagem, burocracia e concreto. Sob sua gestão, a capital foi reposicionada como destino de entretenimento, negócios, gastronomia, cultura e grandes encontros — uma cidade capaz de acolher multidões sem perder a solenidade de sua arquitetura nem a singularidade de sua identidade.

Na mensagem de despedida dirigida à equipe, o agora ex-secretário preferiu o tom da gratidão ao da autopromoção. “Esses dias o sentimento é de despedida mas também de muita felicidade e satisfação”, escreveu. Em outro trecho, resumiu o espírito da travessia: “Anos de parceria, muito trabalho, dedicação e um amor gigante por Brasília. Juntos, elevamos o turismo da nossa capital, gerando oportunidades e mostrando a força da nossa cidade para todo o Brasil”.

A declaração ajuda a compreender o que esteve em jogo em sua gestão. Mais do que organizar agendas e campanhas, Cristiano atuou para transformar turismo em ativo político, econômico e simbólico. Em uma cidade que por décadas conviveu com a caricatura de ser importante demais para o país e distante demais de si mesma, sua secretaria trabalhou para dar a Brasília outra narrativa: a de uma capital viva, pulsante e capaz de atrair olhares pelo que produz, pelo que sedia e pelo que representa.

Sua despedida também ocorre em um momento de rearranjo no tabuleiro político do Distrito Federal. Com a aproximação do calendário eleitoral e a desincompatibilização de nomes do primeiro escalão, a saída de Cristiano Araújo é lida, nos bastidores, como passo natural de quem conclui uma missão administrativa e passa a ser observado com mais nitidez como ator político. Seu nome, que já circulava com crescente peso fora dos limites da secretaria, agora entra em outra fase: a de projeção mais aberta para os próximos movimentos na capital.

Esse futuro ainda será escrito, mas já não parece modesto. Cristiano deixa a Setur com capital político acumulado, visibilidade pública e a marca de quem soube associar gestão a presença. Em Brasília, isso importa. E muito.

Na despedida, ele fez questão de registrar o tom humano de sua trajetória: “Poucas pessoas têm a oportunidade de trabalhar com tanta gente bacana, que abraça o time, que segue em frente e acredita no que é capaz”. Depois, concluiu com a frase que melhor define este momento de transição: “Deixo a Secretaria com o coração cheio de gratidão e a certeza de dever cumprido. Cada conquista só foi possível porque tive o melhor time ao meu lado. Meu ciclo na Setur se encerra, mas o compromisso com o Distrito Federal continua firme”.

É uma frase de adeus, mas também de anúncio.

Ao sair da Secretaria de Turismo, Cristiano Araújo não desaparece da cena. Ao contrário: deixa um posto relevante com a biografia ampliada e com a imagem associada a uma Brasília que aprendeu, sob sua gestão, a se apresentar melhor ao país e ao mundo. Em tempos de transição, isso equivale a mais do que um legado. Equivale a um ponto de partida.