Comissão da Mulher ganha novo capítulo: Erika Hilton assume presidência e faz história na Câmara

Deputada do PSOL é eleita com 11 votos e se torna a primeira mulher trans a comandar o colegiado; eleição reacende embate político na Casa

Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados entrou em uma nova fase nesta quarta-feira (11), com a eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência do colegiado. A deputada recebeu 11 votos, contra 10 votos em branco, e se tornou a primeira mulher trans a assumir o comando da comissão. 

A escolha tem peso político e simbólico. Em seu discurso de posse, Erika afirmou que sua gestão pretende atuar com diálogo e com foco na defesa dos direitos das mulheres, destacando que a comissão deverá olhar para diferentes realidades femininas no país. Entre as prioridades anunciadas estão a fiscalização da rede de proteção, das Casas da Mulher Brasileira, o enfrentamento à violência política de gênero e a promoção de políticas de saúde integral para as mulheres

A eleição, porém, não passou sem resistência. O próprio portal da Câmara registrou críticas de deputadas da oposição, que contestaram a escolha e afirmaram que a comissão deveria ser presidida por uma mulher cisgênero. O episódio expôs, já na instalação do colegiado, um ambiente de forte disputa política e ideológica em torno da pauta. 

A repercussão ganhou ainda mais temperatura após o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) voltar a divulgar um vídeo de 2023 em que aparece de peruca loira e diz se identificar como uma mulher trans. O recorte foi repostado por ele na rede X com a legenda “eu avisei”, logo após a confirmação da eleição de Erika para a comissão. 

No fim, a nova presidência da Comissão da Mulher começa cercada por dois movimentos simultâneos: de um lado, a dimensão histórica da eleição de Erika Hilton; de outro, a reação imediata de setores conservadores, que indicam que o colegiado deve viver um ano de forte tensão política.