Governadora do DF diz que pedirá “transparência geral” ao presidente do banco e quer fora da supervisão executivos sob investigação
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP) afirmou nesta segunda-feira (30) que vai pedir ao presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, o afastamento de cargos de chefia de executivos que participaram das operações com o Banco Master e que estejam sob investigação. A declaração foi dada no mesmo dia em que ela assumiu oficialmente o comando do GDF.
Segundo Celina, a primeira cobrança ao comando do banco será por “transparência geral”. Ao comentar o tema, a governadora afirmou que ninguém ligado à negociação com o Master deve permanecer em funções de supervisão ou superintendência enquanto houver apuração em curso. A fala sinaliza uma tentativa de imprimir novo tom político à condução da crise que atinge o BRB.
A pressão sobre o banco ocorre em meio ao avanço das investigações sobre a compra, pelo BRB, de cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Master, operação que é apurada por suspeitas de ativos superfaturados ou inexistentes, segundo a Agência Brasil. O caso se tornou um dos principais focos de desgaste do governo local e da própria direção da instituição.
A crise ganhou dimensão ainda maior depois que o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou publicamente que o banco precisaria reservar cerca de R$ 8 bilhões em seu balanço para cobrir perdas relacionadas ao caso. O tamanho da provisão passou a medir, no mercado e na política local, a gravidade do problema herdado pela nova gestão do DF.
O episódio também está ligado a uma tentativa anterior de aquisição do Master pelo BRB. Segundo reportagens publicadas nos últimos meses, o Banco Central vetou a operação em setembro de 2025, e o caso seguiu sendo alvo de investigações de diferentes órgãos. A Reuters informou na semana passada que o TCU decidiu adiar uma deliberação sobre o caso Master justamente por causa da existência de apurações paralelas em andamento.
Ao defender o afastamento de envolvidos em cargos estratégicos, Celina tenta associar sua chegada ao Buriti a uma mensagem de controle político e reorganização institucional. O gesto também funciona como resposta pública a uma crise que ultrapassou o ambiente técnico do banco e se transformou em problema central do governo do Distrito Federal.