Detran-DF marca data com ações educativas e destaca que símbolo do trânsito da capital virou patrimônio cultural imaterial em 2024
Brasília celebra nesta quarta-feira (1º) os 29 anos da faixa de pedestre, um dos símbolos mais marcantes da relação entre mobilidade urbana e cidadania no Distrito Federal. Para marcar a data, o Detran-DF promove, a partir das 5h30, o projeto Café na Faixa e uma blitz educativa na travessia entre o Sesi Lab e a Biblioteca Nacional, em uma ação que reforça o compromisso histórico da capital com a proteção da vida no trânsito.
Os números ajudam a explicar o peso simbólico da data. Mesmo com o crescimento de 260% da frota de veículos no DF — que passou de 605 mil, em 1996, para mais de 2,17 milhões atualmente —, o número de mortes por atropelamento caiu 70,7% no período. Em 1996, foram registradas 266 ocorrências fatais. Em 2025, esse total caiu para 78, sendo apenas quatro casos em faixas não semaforizadas.
A data remete a um pacto firmado em 1997 entre órgãos ligados à segurança viária e a população do Distrito Federal. Desde então, a faixa de pedestre em Brasília se consolidou como uma marca da cidade, tornando-se referência nacional de respeito à travessia e à prioridade de quem caminha.
Em julho de 2024, esse reconhecimento ganhou dimensão ainda maior, quando a faixa foi declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Distrito Federal. A medida consolidou oficialmente um costume que, na prática, já fazia parte da identidade brasiliense.
Para o diretor-geral do Detran-DF, Marcu Bellini, a faixa representa mais do que sinalização viária: tornou-se um símbolo de respeito mútuo entre pedestres e condutores. A leitura do órgão é de que a construção dessa cultura ao longo de quase três décadas ajudou a salvar milhares de vidas.
Os dados de 2025 também revelam um retrato mais detalhado dos atropelamentos fatais registrados no DF. Dos 78 pedestres mortos, dois estavam em faixas com semáforos, enquanto os demais atravessavam fora delas. Ao todo, 40 ocorrências foram registradas em rodovias e 32 em vias urbanas. O maior número de mortes aconteceu às quartas-feiras, com 14 casos, e no período da noite, entre 18h e 23h59, faixa horária que concentrou 41 ocorrências.
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) garante prioridade ao pedestre nas faixas delimitadas, exceto nos locais com semáforo. Deixar de dar preferência é considerado infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e sete pontos na CNH. A regra também se aplica a situações como conversões, travessias incompletas e deslocamento de grupos mais vulneráveis, como idosos, gestantes, crianças e pessoas com deficiência.
Além da fiscalização, o Detran mantém o foco na educação para o trânsito. Para os motoristas, a principal orientação é clara: respeitar integralmente o pedestre. Já para quem atravessa, as recomendações incluem usar a faixa, sinalizar a intenção, esperar os veículos pararem e seguir em linha reta, evitando distrações com celular ou fones de ouvido. Entre as dicas de segurança, o órgão também orienta segurar crianças pelo punho e usar roupas claras no período noturno.
As atividades educativas não se encerram nesta quarta-feira. Ao longo de abril, o Detran-DF seguirá com ações em diferentes pontos da capital, com blitzes, palestras, apresentações teatrais, distribuição de material informativo e novas edições do Café na Faixa em locais de grande circulação.
Ao completar 29 anos, a faixa de pedestre de Brasília reforça seu lugar como um dos maiores exemplos de convivência no trânsito brasileiro — e como um lembrete de que educação, regra e respeito podem, sim, mudar a história de uma cidade.