Apoio de Michelle a Celina expõe ruído no PL e embaralha planos no DF

Declaração da ex-primeira-dama fortalece a vice-governadora, mas amplia tensão entre alas do partido sobre a disputa local

A reafirmação de apoio de Michelle Bolsonaro a Celina Leão produziu dois efeitos ao mesmo tempo no cenário político do Distrito Federal: fortaleceu a vice-governadora e, ao mesmo tempo, ampliou o desconforto interno dentro do PL-DF. A declaração feita em reunião da legenda contrariou parte das lideranças locais, que ainda resistem a um apoio automático à possível candidatura de Celina ao Palácio do Buriti

Entre os nomes que demonstram resistência estão o senador Izalci Lucas (PL-DF), que sustenta ter recebido aval para disputar o governo local, e o deputado federal Alberto Fraga (PL-DF). O próprio ambiente partidário vem sendo descrito como de divergência, com setores da legenda defendendo cautela antes de transformar a simpatia de Michelle em apoio formal do partido. 

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A situação se torna ainda mais delicada porque Bia Kicis, presidente do PL no DF, também já afirmou publicamente que o partido apoia Celina “enquanto isso for da vontade de Michelle”. Ou seja: o apoio existe, mas carrega uma informalidade que revela o tamanho da disputa interna e o quanto a palavra final da ex-primeira-dama ainda pesa no desenho político da legenda. 

Esse quadro mostra que a pré-campanha no DF já não gira apenas em torno de nomes, mas de comando político. A questão central passa a ser: quem define o rumo do PL na capital? A cúpula formal do partido ou a influência de Michelle Bolsonaro sobre a base e sobre aliados estratégicos? A resposta, ao menos por enquanto, parece pender para a segunda hipótese. 

Com isso, Celina Leão sai fortalecida não apenas pelo conteúdo do apoio, mas pelo contexto em que ele foi dado. Quando uma liderança como Michelle compra a briga por um nome, o gesto não apenas ajuda a candidatura — ele reorganiza o debate em torno dela.