Trump elogia Flávio Bolsonaro em meio a embate com Lula por tarifaço nos EUA

Por O Brasiliense Brasília

A corrida presidencial de 2026 transbordou para o campo da política externa nesta terça-feira (2). O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou suas redes sociais para publicar imagens de seu encontro com o senador e pré-candidato à Presidência do Brasil, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), realizado na última semana no Salão Oval da Casa Branca. Na postagem, o líder republicano rasgou elogios ao parlamentar brasileiro.

“Foi muito bom receber Flávio Bolsonaro no Salão Oval da Casa Branca — Um jovem inteligente que ama muito seu país, o Brasil!”, escreveu Trump em sua conta oficial na Truth Social.

Os registros mostram ainda a presença do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, irmão do senador, que atualmente se encontra autoexilado em território americano. A publicação de Trump ocorre de forma estratégica, exatamente no mesmo dia em que Washington divulgou um relatório técnico propondo a aplicação de uma sobretaxa tarifária de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, sob a alegação de práticas comerciais restritivas.

Aliança contra Facções e o “Escudo das Américas”

A visita de Flávio Bolsonaro à cúpula do governo americano dividiu-se em agendas intensas com o próprio Trump, com o vice-presidente J.D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Durante as coletivas pós-reunião, o senador detalhou os compromissos firmados e as exigências levadas a Washington:

  • PCC e CV como Terroristas: Flávio solicitou formalmente que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) fossem classificadas como organizações terroristas globais — medida que a Casa Branca chancelou logo após a visita, abrindo margem para duras sanções financeiras internacionais.
  • Escudo das Américas: O pré-candidato do PL prometeu que, caso vença as eleições de outubro, integrará o Brasil ao “Escudo das Américas”. A coalizão militar e de inteligência liderada pelos EUA já conta com governos aliados na região, como os de Javier Milei (Argentina) e Nayib Bukele (El Salvador), visando combater o crime organizado transnacional e conter a influência de potências estrangeiras no continente.

Lula Sobe o Tom e Acusa Família de “Traição”

O teor e o timing da viagem da comitiva bolsonarista geraram imediata e inflamada reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Antes mesmo de Trump publicar as fotos oficiais, Lula subiu o tom em discurso público, culpando diretamente a família Bolsonaro pela nova ameaça de tarifaço econômico e associando o imposto à suposta interferência dos parlamentares junto à Casa Branca.

“Esses filhos do Bolsonaro conseguem ser piores do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro se intrometesse nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer em alto e bom som. São traidores. O que merecem os traidores da pátria que vão pedir intervenção de um país no nosso povo?”, disparou Lula.

  HISTÓRICO RECENTE DE TARIFAS AMERICANAS AO BRASIL:
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  │ 📊 Julho de 2025: Governo dos EUA impõe tarifas de 40%    │
  │    sobre itens brasileiros na primeira onda de fricção.  │
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  │ 🚨 Junho de 2026 (Hoje): Relatório de Washington propõe │
  │    nova taxação de 25% sobre commodities e manufaturados.│
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Lula relembrou o “tarifaço” anterior sofrido pelo Brasil em julho de 2025, quando as taxas americanas chegaram ao patamar abusivo de 40%, e aproveitou para ironizar as explicações dadas pela oposição. “Pensem, porque esse cidadão hoje aparece na imprensa dizendo: ‘Eu não falei nada’. Todo covarde é assim, fala a m**** que fala e depois não tem coragem de assumir. Fica tentando mentir”, completou o petista.

Em contrapartida, em entrevista concedida à Rádio Itatiaia, Flávio Bolsonaro rebatia a narrativa governista, assegurando que agiu em defesa do empresariado nacional. “Nas três reuniões que nós tivemos, pedi expressamente: não taxem as empresas brasileiras. Tarifa não é solução. O nosso agro alimenta o mundo e não é justo taxar as nossas empresas. Precisamos sentar de maneira séria na mesa de negociação, não com bravatas como faz Lula”, defendeu o senador.