Brasil goleia na despedida, mas deixa um aviso antes da Copa: vamos precisar aprender a sofrer

Por O Brasiliense  Rio de Janeiro

A Seleção Brasileira se despediu de sua torcida antes do embarque rumo à Copa do Mundo de 2026 com uma goleada expressiva de 6 a 2 sobre o Panamá, diante de um Maracanã lotado com mais de 60 mil pessoas. No entanto, quem olhou apenas o placar elástico perdeu os detalhes de uma partida que deixou uma sensação agridoce e um alerta claro para a comissão técnica: a caminhada rumo ao hexa será bem mais complexa do que muitos imaginam.

O adversário, 33º colocado no ranking da Fifa e também classificado para o Mundial no grupo da Inglaterra, provou que não era um mero figurante. Enquanto teve fôlego e força física na etapa inicial, o Panamá expôs fragilidades que o técnico Carlo Ancelotti precisará corrigir em tempo recorde — a duas semanas da estreia.

O Time de Ancelotti e a Dependência de Vini Jr.

O primeiro tempo serviu para desenhar a espinha dorsal que Ancelotti planeja para a estreia contra o Marrocos. A tendência é que a equipe titular seja muito próxima da que iniciou o amistoso, com exceções na zaga — onde Bremer e Léo Pereira devem ceder seus lugares a Marquinhos e Gabriel Magalhães, que ganharam folga após disputarem a final da Champions League.

Apesar de desenhado, o time titular não convenceu. O meio-campo brasileiro sofreu com a falta de criatividade e velocidade na troca de passes, apresentando um futebol previsível. Quem quebrou a monotonia e salvou a atuação protocolar foi Vinícius Júnior. O atacante chamou a responsabilidade, abriu o placar e deu a assistência para Casemiro ampliar, consolidando-se como a grande referência técnica em campo.

E o Neymar? Ainda sem condições físicas ideais, o camisa 10 assistiu ao jogo do banco de reservas, sem uniforme. Ele segue nos planos da comissão técnica, mas sua real condição e o momento em que poderá estrear na Copa permanecem como a maior incógnita do Brasil.

A “Revolução dos Reservas” no Segundo Tempo

Insatisfeito com o ritmo da equipe, Ancelotti promoveu uma mudança radical no intervalo, utilizando as dez substituições permitidas para o amistoso. A resposta dos suplentes foi imediata e avassaladora:

  • Ritmo Intenso: O time reserva sufocou o Panamá, subiu as linhas de marcação e acelerou a transição ofensiva.
  • Goleada Consolidada: O futebol apresentado na segunda etapa transformou um placar burocrático em um atropelo de 6 a 2.
  • Opções Proeminentes: Vários jogadores mostraram que podem ser peças cruciais saindo do banco durante o torneio.

Apesar da excelente impressão deixada pelos suplentes, analistas de bastidores cravam que Ancelotti dificilmente abandonará suas convicções e sua formação principal às vésperas do Mundial. Copa do Mundo exige casca e consistência, e o treinador italiano preza pelo planejamento a longo prazo.

Duas certezas a caminho do Mundial

A partida de despedida no Rio de Janeiro deixou duas conclusões nítidas para o torcedor brasileiro:

  1. O Abraço da Torcida: O Maracanã pulsando com mais de 60 mil vozes enterrou o mito de que o torcedor se distanciou da Seleção. O país quer e vai apoiar o time nos Estados Unidos, México e Canadá.
  2. Falta Maturidade Coletiva: A duas semanas do primeiro jogo oficial, o Brasil ainda não está pronto como conjunto.

Se o brilho coletivo ainda não engrenou, esta poderá ser a Copa em que a Seleção Brasileira precisará resgatar o pragmatismo e aprender a sofrer. Suportar a pressão nos momentos de oscilação e contar com lampejos de genialidade individual — como os de Vini Jr. — pode ser o caminho realista para avançar no torneio. Afinal, a história mostra que a Copa do Mundo também se ganha sabendo suportar o sufoco.