Santú faz dois anos e põe a mandioca no centro da mesa em almoço com oito chefs de Brasília

Restaurante da 216 Norte celebra aniversário com quatro estações temáticas e criações autorais que homenageiam um dos ingredientes mais simbólicos da cozinha brasileira

Há ingredientes que alimentam. E há ingredientes que contam um país. No aniversário de dois anos do Santú Comedoria, em Brasília, a escolhida para ocupar esse lugar de honra é a mandioca — raiz ancestral, cotidiana, brasileira até a medula e, ainda assim, muitas vezes tratada como coadjuvante. Neste domingo, 19 de abril, o restaurante da 216 Norte transforma o próprio salão em espaço de celebração e manifesto culinário, reunindo oito chefs da cidade em um almoço especial com quatro estações temáticas, todas dedicadas a explorar as muitas possibilidades do ingrediente.

A escolha não parece casual, nem apenas estética. Ao colocar a mandioca no centro da festa, o Santú reafirma uma cozinha que prefere olhar para dentro, em vez de buscar legitimidade fora. É um gesto que conversa com a identidade que a casa vem construindo desde a abertura: uma gastronomia atravessada por memória, afeto, raízes afro-indígenas e pela defesa de uma cultura alimentar que sempre esteve posta à mesa, ainda que nem sempre tenha recebido o prestígio que merece.

No Santú, a mandioca deixa de ser “acompanhamento” e vira linguagem. A ideia do almoço é justamente essa: mostrar como um ingrediente aparentemente simples pode ganhar novas leituras quando passa pelas mãos de cozinheiros com repertório, técnica e visão autoral. Mais do que reinventar a raiz, a proposta parece ser honrá-la — e, com ela, honrar uma parte profunda da cozinha brasileira.

Participam do encontro, além da chef e proprietária Catarina Freire, nomes de diferentes casas da cidade: Joulie Nascimento, do Senac BrasíliaDyego Lisboa, do MimoToy, do Confit BurgerDeborah Mendes, da Casa AlmeriaAmanda Nasser, do Manjuca CongeladosGab Barros, do Rala; e Marina Siqueira, do Miúdo. Cada um foi convidado a desenvolver uma criação a partir da mandioca, imprimindo sua própria linguagem sobre um mesmo ponto de partida.

Catarina, que também assina os menus do Mimo e do Balcão, trata a celebração como posicionamento. Para a chef, cozinhar com propósito é também um gesto político — e escolher a mandioca para marcar a data é uma forma de devolver centralidade ao que é nosso, ao que atravessa gerações e ao que sustenta, em silêncio, a história do paladar brasileiro.

O almoço será aberto ao público, sem necessidade de reserva, em formato que convida à circulação entre as estações e ao tempo mais lento do domingo. A proposta é menos a de um serviço engessado e mais a de uma mesa expandida: provar, conversar, partilhar, voltar. Em um cenário gastronômico muitas vezes seduzido pela novidade importada, o Santú escolhe celebrar justamente o que nunca precisou vir de fora para ser grande.

No fundo, o aniversário da casa acaba dizendo algo maior do que parece. Ao reunir chefs em torno da mandioca, o restaurante não comemora apenas dois anos de funcionamento. Comemora a permanência de uma ideia: a de que a cozinha brasileira ainda tem muito a revelar quando decide escutar as próprias raízes.

Serviço
Aniversário de 2 anos do Santú Comedoria
Quando: domingo, 19 de abril
Onde: Santú Comedoria, 216 Norte
Formato: almoço com quatro estações temáticas
Reservas: não é necessário reservar