Programa da Secretaria da Mulher aposta na autonomia financeira como eixo de reconstrução para vítimas de violência doméstica
No Distrito Federal, a carteira assinada tem sido, para muitas mulheres, mais do que uma oportunidade profissional. Em centenas de casos, ela passou a representar uma chance concreta de romper com a violência e reconstruir a própria vida. Desde 2019, uma política de empregabilidade voltada a mulheres em situação de violência doméstica já garantiu trabalho formal a 365 mulheres no DF, segundo a Secretaria da Mulher.
O dado foi reforçado nesta quinta-feira (16), durante o 2º Encontro Conexão com a Empregabilidade Feminina, realizado no Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF). No evento, a Secretaria da Mulher apresentou a servidores, fiscais, gestores de contratos e representantes de empresas os pilares da política pública que tenta enfrentar um dos aspectos mais cruéis da violência doméstica: a dependência econômica.
Na prática, o programa parte de uma constatação conhecida por quem atua na rede de proteção: sem renda, muitas mulheres permanecem presas ao ciclo de agressões por falta de condições materiais para recomeçar. É nesse ponto que o acesso ao mercado de trabalho deixa de ser apenas uma pauta de inclusão e passa a ser também instrumento de proteção.
Desde a criação da iniciativa, a pasta firmou 14 acordos de cooperação técnica com diferentes parceiros. A estratégia busca abrir vagas formais e, ao mesmo tempo, oferecer suporte para que essas mulheres consigam se manter no emprego e reorganizar a vida. Para isso, elas contam com acompanhamento de equipes multidisciplinares, compostas por psicólogos, pedagogos e assistentes sociais.
A secretária da Mulher do DF, Giselle Ferreira, afirmou que a política tem como foco ampliar oportunidades e fortalecer a autonomia feminina. “O nosso foco é fortalecer a empregabilidade feminina por meio de parcerias e políticas públicas que ampliem as oportunidades de trabalho. As ações têm o objetivo de promover a inclusão social e econômica dessas mulheres, além de iniciativas que incentivem a equidade de gênero no mercado de trabalho”, destacou.
A fala traduz uma ideia central dessa política pública: em muitos casos, a saída da violência começa no contracheque. A autonomia financeira não elimina, sozinha, as marcas deixadas pela agressão, mas pode criar as condições mínimas para que a mulher faça escolhas fora da tutela do medo.
Foi justamente esse ponto que a psicóloga Maíra Dourado, de 25 anos, ressaltou ao comentar a importância da iniciativa. “A autonomia financeira traz independência para que a mulher saia do ciclo de violência. Esse evento é muito importante, porque traz dignidade e propósito dentro da profissão, para que as mulheres vítimas de violência possam ingressar no mercado de trabalho e reconstruir suas vidas”, afirmou.
Mais do que apresentar números, o encontro no TCDF deu visibilidade a uma política que tenta atuar onde a violência costuma se prolongar em silêncio: na falta de renda, na insegurança e na ausência de perspectivas. Ao apostar na empregabilidade como ferramenta de transformação, o GDF busca mostrar que acolher também passa por garantir futuro.