Paulo Henrique Costa foi preso na quinta fase da crise que envolve o BRB e o Banco Master; defesa diz que custódia é desnecessária
O ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa passou a primeira noite no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, após ser preso preventivamente pela Polícia Federal na quinta-feira (16), na 4ª fase da Operação Compliance Zero. A informação sobre o registro no sistema prisional foi divulgada pela TV Globo e repercutida nesta sexta-feira.
A prisão foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito de uma investigação que apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro e organização criminosa. Segundo a Polícia Federal e a decisão citada pela Agência Brasil, Costa é suspeito de ter facilitado operações sem lastro entre o BRB e o Banco Master, em troca de vantagens indevidas.
O caso aprofunda a crise que se abriu em torno da tentativa de aproximação entre as duas instituições. Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou oficialmente a compra do Banco Master pelo BRB, e, em novembro daquele ano, Paulo Henrique Costa já havia sido afastado e depois deixou o comando do banco público distrital.
Na decisão que embasou a prisão, Mendonça apontou risco de interferência na investigação e citou a permanência de atos de ocultação patrimonial. De acordo com a PF, Costa teria acertado com o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o recebimento de R$ 146,5 milhões em propina, por meio de imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília; até agora, os investigadores afirmam ter rastreado ao menos R$ 74 milhões.
A defesa do ex-presidente do BRB contestou a medida. À Agência Brasil, o advogado Cleber Lopes afirmou que não considera válida a hipótese de pagamento de propina e sustentou que Costa não oferece risco à instrução criminal nem à aplicação da lei penal.
A primeira noite na Papuda transforma em imagem concreta uma queda que já vinha sendo desenhada desde o colapso da operação com o Master. O que antes era uma crise de governança e credibilidade no banco público do DF passa, agora, a ganhar contorno penal mais duro — e com potencial de ampliar o desgaste político e institucional em torno de um dos episódios mais delicados da história recente do BRB.