Mobilização do Acampamento Terra Livre reúne lideranças de todo o país e cobra ações concretas do governo federal
Milhares de indígenas de diversas regiões do Brasil ocupam Brasília nesta semana para o Acampamento Terra Livre (ATL) 2026, uma das maiores mobilizações do movimento indígena no país. Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o evento ganhou força nesta quinta-feira (9), com a marcha “Demarca Lula”, que percorre a Esplanada dos Ministérios até a Praça dos Três Poderes.
O principal objetivo do ato é pressionar o governo federal pelo avanço na demarcação de Terras Indígenas, considerada prioridade pelos participantes. A mobilização também chama atenção para o aumento da violência nos territórios e a demora na conclusão de processos administrativos que garantem a posse das terras.
De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), cerca de 76 Terras Indígenas já estão prontas para homologação, dependendo apenas da assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outras 34 áreas aguardam portaria do Ministério da Justiça, etapa necessária para a continuidade dos processos.
Para lideranças do movimento, a paralisação dessas etapas mantém comunidades em situação de vulnerabilidade, expostas a conflitos fundiários e invasões. “Não há soberania sem Terras Indígenas demarcadas e protegidas”, afirmou Kleber Karipuna, coordenador executivo da APIB. “Há processos prontos e comunidades esperando. O que falta é vontade política para avançar”, completou.
Além da pauta territorial, a marcha também presta homenagem a lideranças indígenas assassinadas em conflitos por terra, especialmente em estados como Bahia e Maranhão. Os casos, segundo o movimento, evidenciam a persistência da violência e a ausência de respostas efetivas do Estado.
O ATL ocorre em um momento de forte pressão política em Brasília, com o tema indígena ganhando destaque nas discussões nacionais. Para os participantes, a mobilização busca não apenas cobrar medidas imediatas, mas também reforçar a importância dos territórios indígenas para a preservação ambiental, a soberania nacional e os direitos constitucionais.
A expectativa é que os atos desta semana ampliem o debate sobre a pauta indígena no Congresso e no Executivo, colocando em evidência a necessidade de decisões que impactam diretamente milhares de famílias em todo o país.