Gasolina e diesel tiveram novo reajuste após uma semana de trégua, mas sindicato diz que guerra no Oriente Médio não explica sozinho a alta e pede transparência sobre custos
Após uma semana sem reajustes, os combustíveis voltaram a subir no Distrito Federal nesta terça-feira (31). Segundo informações publicadas pelo Jornal de Brasília e pelo Correio Braziliense, as distribuidoras elevaram em R$ 0,05 o preço da gasolina e em R$ 0,15 o do diesel nas vendas aos postos, movimento que tende a pressionar o valor final pago pelo consumidor.
O novo aumento reacendeu a preocupação do setor e dos motoristas em meio à sequência de altas registrada em março. O presidente do Sindicombustíveis-DF, Paulo Tavares, afirmou que ainda não há explicação clara apresentada pelas distribuidoras para justificar esse reajuste específico e cobrou a divulgação das planilhas de custos. Segundo ele, o sindicato quer saber de forma objetiva quais fatores estão sendo considerados na formação dos preços.
Embora o cenário internacional esteja tensionado pela guerra no Oriente Médio e pelas incertezas no mercado global de petróleo, Tavares pondera que isso não explica automaticamente todos os reajustes recentes. Em entrevista ao Jornal de Brasília, ele afirmou que o Brasil importa cerca de 30% do diesel e aproximadamente 6% da gasolina, o que torna o país sensível às oscilações externas, mas insuficiente, por si só, para justificar toda a escalada observada nas bombas.
No caso do diesel, o presidente do sindicato disse que a dependência maior de importação pode até sustentar parte da alta, mas argumenta que os aumentos acumulados já superam uma lógica simples baseada no custo externo. Já na gasolina, a avaliação do setor é de que o quadro é ainda menos transparente, porque a dependência internacional é menor e não houve, até aqui, um fator de custo interno amplamente conhecido que explique sozinho a sequência de reajustes.
Outro elemento que pesa nesse ambiente de desconfiança é a atuação recente dos órgãos de fiscalização. Na última sexta-feira (27), a Polícia Federal, a Senacon e a ANP deflagraram a Operação Vem Diesel em 11 estados e no Distrito Federal para apurar suspeitas de aumentos irregulares e práticas abusivas no mercado de combustíveis. Segundo a Agência Brasil, a força-tarefa busca identificar desde alta injustificada nas bombas até possíveis sinais de coordenação de preços entre empresas concorrentes.
O momento, portanto, combina três pressões simultâneas: a crise internacional do petróleo, a instabilidade no abastecimento e a cobrança crescente por mais transparência no mercado interno. Para o consumidor do DF, o efeito prático continua o mesmo: depois de uma breve trégua, a conta voltou a subir.