Aeroporto de Brasília deve ir a leilão em novembro, diz ministro

Silvio Costa Filho afirma que terminal da capital virou “novo ativo” para o mercado; projeto ainda depende de aval do TCU

Por: Redação O Brasiliense – Foto: Reprodução

Aeroporto Internacional de Brasília pode ir a leilão em novembro deste ano, segundo projeção do ministro de Portos e AeroportosSilvio Costa Filho. A declaração foi feita nesta segunda-feira (30), em São Paulo, após o leilão do Aeroporto do Galeão, arrematado pela espanhola Aena por R$ 2,9 bilhões

Ao comentar os próximos passos da agenda de concessões, o ministro afirmou que a prioridade do governo agora é viabilizar o certame do terminal brasiliense ainda em 2026. Segundo ele, a expectativa é que o processo avance com apoio do Tribunal de Contas da União (TCU) e da SecexConsenso, o que abriria caminho para a licitação no segundo semestre. 

Silvio Costa Filho descreveu o Aeroporto de Brasília como um “novo ativo” que se apresenta ao mercado brasileiro, numa sinalização de que o governo vê potencial de atração de investidores para o terminal da capital. A fala ocorre no momento em que o ministério também prepara a concessão de outros aeroportos, como Viracopos, em Campinas. 

O projeto, porém, ainda depende do crivo do TCU. Na semana passada, o próprio ministro já havia dito que o edital do leilão de Brasília deveria seguir ao plenário do tribunal em cerca de 15 dias, sob relatoria do ministro Antônio Anastasia. A expectativa agora é que, se aprovado, o cronograma permita a realização do leilão em novembro. 

Pelo modelo em discussão, a concessão do aeroporto brasiliense deve ocorrer em bloco, o que significa que o vencedor também assumirá a administração de 10 aeroportos regionais em estados do Centro-Oeste, além de um terminal no Paraná e outro na Bahia. A estratégia busca tornar economicamente viável a operação de estruturas menores ao associá-las a um aeroporto de maior porte e maior capacidade de geração de receita. 

Relembre o contexto

O caso de Brasília tem origem no modelo de concessão adotado em 2012, quando os aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos foram entregues à iniciativa privada com base em projeções de demanda e receitas que não se confirmaram. Segundo o TCU, o terminal brasiliense movimentou cerca de 15,2 milhões de passageiros em 2024, bem abaixo da estimativa feita à época da concessão, que projetava 38,6 milhões para o mesmo ano. 

Essa frustração de demanda, somada a crises econômicas, mudanças na malha aérea e os efeitos da pandemia, comprometeu a viabilidade do contrato e levou o tribunal a abrir um processo de solução consensual para buscar alternativas que evitem o encerramento antecipado da concessão e garantam a continuidade dos serviços. 

Agora, com o Galeão já relictado e a agenda de reestruturação das concessões em andamento, o Aeroporto de Brasíliaentra no centro da nova rodada de apostas do governo federal para o setor aéreo. Se o cronograma se confirmar, novembro poderá marcar não apenas um leilão, mas uma nova tentativa de redesenhar o futuro de um dos terminais mais estratégicos do país.