Pequenas empresas no centro da conta: mudança na jornada preocupa quem emprega na ponta

Seminário em Brasília discute como propostas sobre horas e dias de trabalho podem atingir micro e pequenos empreendedores

Quando se fala em mudar a jornada de trabalho, muita gente pensa primeiro no direito do trabalhador. Mas, do outro lado do balcão, há uma preocupação crescente entre quem precisa fechar escala, manter equipe, pagar folha e ainda fazer a conta caber no fim do mês. É esse impasse que estará no centro do seminário Modernização da Jornada de Trabalho, marcado para esta terça-feira, às 9 horas, em Brasília. 

O evento, promovido pela Frente Parlamentar do Empreendedorismo, terá participação da CACB, representada pelo vice-presidente Márcio Luís da Silva, que deve concentrar sua análise nos efeitos das propostas para comércio, serviços, micro e pequenas empresas. O recorte não é casual: são justamente os pequenos negócios que mais sentem o impacto de qualquer mudança que exija contratação extra, reorganização de turnos ou aumento repentino de custos trabalhistas. 

A preocupação do setor produtivo já foi colocada em público. Em debate realizado no início de março, lideranças empresariais e parlamentares alertaram para riscos como aumento do custo de mão de obracrescimento da informalidade e pressão sobre os preços dos serviços. Na mesma discussão, a CACB informou ter aderido a um manifesto com outras 105 entidades, defendendo que o tema seja tratado com profundidade e sem atropelo. 

Para quem empreende pequeno, a discussão não é abstrata. Ela passa pela escala do atendente, pelo horário da loja, pelo plantão do fim de semana e pela sobrevivência de negócios que já operam no limite. Em Brasília, o debate será institucional. Mas o efeito prático, como quase sempre no Brasil, deve começar na ponta.