Fim de uma era: Torre Palace, hotel símbolo da capital, é implodido em Brasília

Com 165 kg de explosivos, um dos edifícios mais icônicos do Setor Hoteleiro Norte foi ao chão neste domingo (25/1), encerrando um ciclo de mais de cinco décadas na história da capital

Por O Brasiliense

O céu de Brasília testemunhou, às 10h01 deste domingo (25/1), o fim de um dos capítulos mais emblemáticos da hotelaria brasiliense. O Torre Palace Hotel, símbolo do luxo e da efervescência diplomática da capital nos anos dourados, foi implodido após mais de 50 anos de existência. A operação envolveu 165 kg de explosivos, instalados em cinco andares estratégicos do prédio.

A demolição controlada, comandada pela empresa especializada RVS Construções e Demolições, colocou fim à estrutura de 14 andares e 140 apartamentos que, por décadas, hospedou autoridades, celebridades e empresários de todo o mundo. O hotel oferecia uma vista privilegiada para o Eixo Monumental e já foi considerado um dos endereços mais nobres da cidade.

De símbolo de prestígio à decadência urbana

Idealizado pelo empresário libanês Jibran El-Hadj, o Torre Palace foi inaugurado como referência de sofisticação e modernidade. Recebeu figuras como os jogadores da Seleção Brasileira tricampeã mundial — Carlos Alberto Torres, Zé Maria e Rivellino — além de nomes da música, como Jair Rodrigues e o grupo Os Diagonais.

No entanto, o prestígio foi sendo substituído pelo abandono. Após a morte do fundador, o edifício entrou em decadência, encerrou suas atividades em 2013 e se transformou em um espaço marcado por invasões, depredações e riscos à segurança pública. Nos últimos anos, o prédio degradado se tornou símbolo de um ciclo urbano encerrado — e de um patrimônio perdido.

A operação de implosão

A execução da implosão foi iniciada às 6h, com o isolamento da área, montagem do Posto de Comando e posicionamento das equipes técnicas. Um forte esquema de segurança garantiu a evacuação de três hotéis vizinhos e afastamento dos moradores da região. Helicópteros, drones e sirenes alertaram para o momento da detonação, que ocorreu de forma precisa e rápida, com a estrutura desabando em segundos.

Os explosivos foram inseridos em 938 perfurações, distribuídas entre os pavimentos térreo, 1º, 2º, 3º e 7º — totalizando mais de 600 metros lineares perfurados em pilares. O desabamento foi planejado com leve inclinação para o Leste, a fim de evitar dispersão de detritos para o Eixo Monumental, uma das vias mais importantes da capital.

O que vem agora

Após a implosão, técnicos iniciaram imediatamente a avaliação estrutural do local e das edificações ao redor. O cronograma prevê o controle de poeira, limpeza das vias e a liberação gradual da área conforme os laudos de segurança forem emitidos.

A retirada dos escombros seguirá o planejamento da empresa responsável e só será feita com autorização da Defesa Civil, que supervisiona todas as etapas do processo.

O futuro do terreno ainda é incerto, mas a expectativa é de que a área seja destinada a novos empreendimentos, com a promessa de revitalizar o Setor Hoteleiro Norte e resgatar a vocação nobre da região central de Brasília.

Com a queda do Torre Palace, Brasília se despede de uma construção que, por décadas, esteve entre as mais icônicas da cidade — uma despedida que, apesar do estrondo, foi cercada por silêncio, nostalgia e respeito à sua história.