Mães trans sofrem ataques por amamentarem filhos

Possível graças à indução de lactação, prática é segura e tem sido utilizada cada vez mais

Nas últimas semanas, três relatos de ataques a mulheres trans* que optaram pelo processo de indução de lactação para amamentar os filhos foram publicados nas redes sociais. A equipe do Nós apurou os casos e teve acesso aos conteúdos das mensagens, que vão do uso do termo “aberração” até a associação à pedofilia.

“Induzir a lactação não é nenhuma novidade para medicina. Estratégias que envolvem controle hormonal e bombinha de sucção. E é o mesmo tratamento que eu estou passando para conseguir lactar, tratamento esse que já havia sido feito em mulheres cis para ajudar mães adotivas, ou em mães que por algum acaso após o parto para a lactação naturalmente”, explicou uma das mulheres em um post depois dos ataques.

A ginecologista e obstetra Ana Thais Vargas, que atua diretamente com pessoas trans, explica que a prática é possível graças a um conjunto de fatores que vão do bloqueio da testosterona a longo prazo até a introdução de medicamentos que estimulam a lactação, passando pelo estímulo com bomba elétrica.

Ana explica ainda que a produção de leite por pessoas trans e travestis é, em geral, pequena, mas que “cabe lembrar que amamentar é mais do que ter leite. Os bebês têm necessidade de sucção não nutritiva, eles têm necessidade de ficar junto do corpo, então todo processo é válido”, diz.

O primeiro caso publicado sobre amamentação por pessoas trans se deu em 2018, no Reino Unido, onde especialistas do Centro de Medicina e Cirurgia para Transgêneros do Hospital Mount Sinai, em Nova York, acompanharam o caso e publicaram na revista médica “Transgender Health”.

*Para preservar a saúde mental e física e não estimular novos ataques, optamos por não compartilhar a identidade das mulheres. 

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