Com novo lockdown, China trava cadeia global de produtos

Lockdown em Xangai, cidade onde está instalado o maior porto do mundo, retarda a normalização na cadeia de suprimentos e pode agravar a inflação no Brasil

A previsão de que a cadeia logística global estaria de novo regularizada ainda neste ano já foi descartada por especialistas da área. Com o novo surto de covid na China e o lockdown adotado em Xangai – cidade onde está instalado o maior porto do mundo -, a cadeia de suprimentos vive mais um momento de estresse que começa a causar atraso na entrega de mercadorias, deve impactar o Brasil sobretudo nas próximas semanas e pressionar a inflação ainda mais.

Desde o começo da pandemia, quando países adotaram medidas de distanciamento social que inviabilizaram a produção e o deslocamento de produtos, a rede global de logística enfrenta rupturas que causaram desabastecimento de alguns itens. Por outro lado, os estímulos fiscais implantados por diversos governos para amenizar a crise impulsionaram o consumo e a encomenda de mercadorias, aumentando a demanda por frete. Houve, assim, um descasamento entre oferta e demanda.

O preço do frete explodiu nesse período, com a média paga pelo transporte de um contêiner passando de US$ 1,4 mil, em fevereiro de 2020, para US$ 11,1 mil em setembro do ano passado. Hoje, o valor está em US$ 8,9 mil. Esse preço vinha em uma tendência de queda, e grande parte dos especialistas apostava em uma regularização do setor ainda neste ano. A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, afirmou, no fim de fevereiro, ao Estadão, que acreditava que a situação seria normalizada no início de 2023, o mais tardar. Esse prazo, porém, agora é visto com descrédito.

O lockdown em Xangai deve causar um efeito cascata na rede de abastecimento mundial. O porto da cidade movimenta por ano 43 milhões de TEUs (medida equivalente a um contêiner de 20 pés, ou cerca de seis metros), é quase dez vezes o total que circula no porto de Santos – o maior do Brasil.

O distanciamento social, inicialmente, limita a quantidade de trabalhadores no porto, reduzindo a eficiência no local. Em seguida, contêineres começam a se acumular, navios ficam congestionados e as empresas de navegação cancelam embarques, explica o especialista em políticas e indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Matheus de Castro. “Quando as medidas de lockdown forem suspensas, será preciso atender a demanda acumulada e a normal. É daí que vem o desequilíbrio de oferta e demanda (de frete). Até hoje, estão tentando corrigir esse desequilíbrio, causado no começo da pandemia, com preços (mais elevados)”, afirma Castro.

Para o advogado especialista em transporte marítimo Larry Carvalho, a retomada e a volta à normalidade no porto de Xangai devem levar de três a quatro meses. “Um congestionamento desse tamanho não é fácil de ser regularizado.”

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