Vulva ‘de milhões’: receita duvidosa viraliza no TikTok. Quais os riscos?

Não é necessário passar muito tempo no TikTok para se deparar com algum vídeo de receita com solução milagrosa. E os temas são os mais variados: vão de limpeza à saúde. Entre eles, mais um viralizou e já chegou a 9 milhões de visualizações. Na gravação, a usuária faz uma mistura que, segundo ela, vai criar uma pepeka de milhões após a depilação: hidratante, medicamento pra fungo, entre outros ingredientes.

Apesar do sucesso do vídeo, uma pergunta fica no ar. Será que isso não pode causar danos à saúde?

A ginecologista Lilian Fiorelli, especialista em sexualidade feminina e uroginecologia pela USP, faz o alerta sobre misturar produtos e aplicá-los na região genital. “A mistura é perigosa para algumas pessoas, principalmente as que têm tendência a ter foliculite porque pode infeccionar os poros, e não é indicada para a maioria. O creme usado tem alto poder hidratante e o óleo de rosa mosqueta propriedades anti-inflamatórias, mas são para uso para pele em geral, como joelho, cotovelo e axila. A vagina tem partes com peles semelhantes às do resto do corpo, como a parte externa dos grandes lábios e a região pubiana, mas não é indicado o uso”, diz.

Os perigos não param por aí. A pomada indicada no final do vídeo é usada para tratamento de infecções com cândida, como a candidíase. Não são todas as pessoas que têm essa infecção e não é para usar onde quiser. Já o óxido de zinco é indicado para assadura quando há lesões na região. “Não indicaria nenhum desses produtos”, afirma Lilian. Segundo ela, eles podem, além de tudo, infeccionar os poros que já estão mais sensíveis por causa da depilação e aumentar o risco de foliculite.

Para cuidar da região vaginal, existem produtos específicos, testados e que podem ser indicados por ginecologistas. “Eles são específicos para a mucosa, que é mais sensível. Diferente da pele, que tem uma resistência bem maior. O uso do que não é indicado pode ajudar a desenvolver irritabilidade e alergia. Existem hidratantes vaginais próprios”, diz a ginecologista do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista, Larissa Silva e Silva. Ela ressalta que é importante não confiar em toda receita que se vê na internet.

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