Mulher vista com sem-teto no DF quebra o silêncio: ‘Não escolhi ter um surto’

A mulher que foi flagrada pelo marido dentro de um carro com um homem em situação de rua em março, em Planaltina (DF), falou pela primeira vez após a repercussão do caso. Em publicação no Instagram, ela disse não ter escolhido ter um surto, que foi “usada como objeto de prazer” durante seus “delírios” e afirmou que acionou a Justiça pelos seus direitos. Givaldo de Souza, 48, foi espancado pelo personal trainer Eduardo Alves, 31, após ele encontrar o sem-teto com Sandra Mara Fernandes dentro de um veículo.

Sandra se identificou na publicação como “mãe de Anna Laura” e “esposa de Eduardo Alves” e agradeceu pelo apoio recebido após o episódio. “Venho através dessa postagem agradecer às pessoas que se levantaram para me defender quando eu não tinha condições. Passei por dias muito difíceis, nunca me imaginei naquela situação. Eu me sinto profundamente dilacerada pelo ocorrido. Hoje, eu tenho ciência de tudo o que foi dito enquanto eu estava internada e sendo cuidada por médicos, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e outros profissionais”, escreveu ela.

Sandra ainda afirma que foi vítima de “chacotas, humilhações em rede nacional” e que foi “taxada como uma mulher qualquer, uma mulher promiscua, uma mulher com fetiches, uma traidora. E mais ofendida ainda por ter sido atacada por outras mulheres que entenderam que eu merecia o pior.”

Eu sempre soube que vivemos numa sociedade desigual, mas eu não escolhi ter um surto. Eu não escolhi ter sido humilhada, eu não escolhi ter minha vida exposta e devastada!

Ela ainda acrescentou que, na condição em que estava, sente que tinha direito legítimo de ser defendida e agradeceu ao marido, Eduardo Alves.

Ele me defendeu durante e depois do ocorrido, pois sabe que em condições normais eu jamais teria permitido passar por aquilo. Agradeço também ao meu pai, minha madrasta, meus irmãos e amigos, que me acolheram e ajudaram o Eduardo e a Anna Laura. Sou profundamente grata aos profissionais que me ajudaram a compreender o que estava acontecendo quando eu já não tinha domínio da minha própria vida.

Sandra também informou que acionou a Justiça. “Nunca faltei com respeito com ninguém e não merecia ter sido tratada como uma qualquer, e, principalmente, ter sido usada como objeto de prazer durante delírios e alucinações que confundiram minha mente e me colocaram num contexto nojento e sórdido. Sigo batalhando, um dia de cada vez para retomar a minha existência e vou conseguir porque Deus é maior e infinitamente bom”, concluiu.

Givaldo no Carnaval

Com a repercussão do caso, Givaldo Alves abriu redes sociais e passou a colecionar dezenas de milhares de seguidores em plataformas como Instagram e TikTok.

Segundo o jornal O Globo, o ex-sem teto atualmente mora em um flat em Brasília e ganha até R$ 13 mil por semana com vídeos feitos sob demanda, com orientação de um agente de marketing.

Cada vídeo sai por R$ 127,50 a R$ 250, de acordo com o diário, e é destinado a festas de aniversário e de casamento, além de despedidas de solteiro. Ele também faz presenças VIP e foi visto no Carnaval da Sapucaí, no Rio.

“[As pessoas] não conseguem aceitar que um mendigo possa viver assim”, disse Givaldo, ao jornal O Globo.

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