Entenda operação bilionária da Globo para salvar o negócio

Cúpula da maior empresa de comunicação do País tem noção do declínio da TV aberta e busca se reinventar

Em janeiro, a agência de análise de crédito Fitch, de Nova York, divulgou um relatório a respeito do Grupo Globo. Deu nota positiva à companhia ao destacar que possui “uma das estruturas financeiras mais fortes” da América Latina.

Mas apontou o maior ponto fraco da principal empresa da holding, a TV Globo: a “grande dependência” da venda de espaço nos intervalos da programação. A Fitch afirma que há crescente migração de receitas de publicidade para outras plataformas.

Tem razão. De acordo com levantamento do Cenp-Meios, as emissoras abertas receberam 52,8% das verbas de mídia das principais agências de publicidade em 2019. Em 2021, a participação dos canais caiu para 45,4%.

Já os investimentos na divulgação na internet aumentaram 58% nesse período. Ainda que a TV seja dominante, todo mundo sabe que o futuro está no digital. Por isso, a Globo concentra esforços e investimentos no Globoplay. No ano passado, a plataforma aumentou a carteira de assinantes em 33% e as receitas cresceram 74% na comparação com 2020.

O grupo carioca investe alto em novas tecnologias e produção de conteúdo para o on-line. Lançada exclusivamente no streaming, ‘Verdades Secretas 2’ bateu recordes de visualizações e conseguiu valiosa repercussão na imprensa e nas redes sociais. Provou a força do negócio.

Por isso, a direção de Entretenimento da Globo tirou a novela ‘Olho por Olho’ da TV, onde iria estrear na faixa das 21h após ‘Pantanal’, para ser exibida no Globoplay. A emissora líder em audiência quer estimular o hábito de ver telenovelas no on-line e, assim, ampliar o número de usuários pagantes.

O ‘menu’ de sua plataforma oferece inúmeros sucessos da teledramaturgia, além de folhetins de outros Países, como México (vários dramalhões protagonizados por Thalía estão lá) e Portugal, que aprendeu a fazer novelas assistindo às tramas brasileiras.

Com a estrutura gigantesca de seus estúdios no Rio, o Grupo Globo pretende investir R$ 6 bilhões ao longo de 2022 na produção de conteúdo para a TV e o streaming – e mais R$ 1,2 bilhão no aprimoramento de tecnologias.

Lançado em 2015, o Globoplay fatura em torno de R$ 1 bilhão por ano, o mesmo patamar do SBT e mais que o dobro das receitas registradas por Band e RedeTV em 12 meses. Tornou-se a ‘galinha dos ovos de ouro’ da companhia pelo potencial de lucro.

Assim, de olho no mercado digital, a Globo quer se reinventar para manter sua relevância no futuro, quando a velha televisão terá perdido mais público e participação nas verbas para outras plataformas. A TV não vai morrer, porém, terá concorrentes cada vez mais fortes no digital.

Mesmo com o gradual enfraquecimento das emissoras de sinal aberto no percentual de verbas de mídia, a Globo faturou R$ 14,4 bilhões em 2021. A agência Fitch prevê que o grupo do clã Marinho vai alcançar receitas de R$ 15,7 bilhões este ano.

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