Como a não preocupação do brasileiro com a corrupção pode afetar as eleições de 2022

As pesquisas de intenção de voto na eleição presidencial sugerem que a polêmica deste ano deve ser acirrada, mas é bem diferente dos últimos anos: o nível de preocupação com a corrupção entre os brasileiros. Depois que as revelações da lavagem de carros provocaram turbulência política, especialmente entre 2014 e 2018, algumas instituições mostraram uma tendência de os eleitores não verem mais a corrupção como um grande problema no Brasil.

 A pesquisa que mostra que a corrupção caiu no ranking das principais perguntas dos eleitores foi baseada em entrevistas que fizeram essencialmente a mesma pergunta: Qual é o principal problema do país? Eles são projetados para determinar a seriedade com que os entrevistados atribuem a determinados tópicos.

Para o jornalista, publicitário e especialista em marketing e análise política, Janiel Kempers, a  corrupção não se tornou uma grande preocupação para os brasileiros, ficando atrás de outros temas como educação e saúde. “ A corrupção acabou se tornando algo tão saturado que foi “normalizada” por grande maioria dos eleitores brasileiros, causando preocupação, principalmente pelo fato de que os motivos pelo qual o cidadão decide seu voto, acabaram se tornando questões pífias”, afirma. 

Isso mudou, porém, com o advento da Operação Lava Jato, quando a questão assumiu a liderança e voltou a declinar a partir de um período em que as operações começaram a declinar em 2018. Os dados do Datafolha mostram esse fenômeno. Em 2011, a corrupção ficou em sexto lugar entre os principais problemas do país, respondendo por apenas 3%. 

Na época, a saúde reinava suprema. De junho de 2013 a dezembro de 2014, o tema ficou em terceiro lugar. A mudança ocorreu em um cenário de protestos em 2013 e das primeiras revelações da Operação Lava Jato que eclodiu no ano seguinte. Na época, a investigação revelou esquemas corruptos de empresas estatais como a Petrobras, bem como o envolvimento de agentes políticos de todos os lados. De acordo com o Datafolha, o tema continuou crescendo em importância e foi identificado como o maior problema do país em novembro de 2015.

Em março de 2016, às vésperas do impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), 37% dos brasileiros citaram a corrupção como a maior preocupação do país. Até dezembro de 2018, o tema oscilava entre o primeiro e o segundo lugar. Desde então, iniciou sua trajetória descendente. 

O tema caiu no ranking do presidente Jair Bolsonaro (PL) até dezembro de 2021, quando apenas 4% dos entrevistados acreditavam que o principal problema do Brasil era a corrupção. A saúde é a líder, com 24%. Em 2018, o tema caiu para o segundo lugar, respondendo por 15,7%. 

Em 2020, a pesquisa mais recente, o tema voltou ao quarto lugar com 6,1%, abaixo do percentual de 2011. A última pesquisa de outro pesquisador, o Ipespe, reforça a ideia de que a corrupção não será a principal preocupação dos eleitores de hoje.Segundo o levantamento de novembro de 2021, o assunto estava em sexto lugar na lista dos temas mais importantes a serem tratados pelo próximo presidente, com apenas 5%.

Janiel Kempers, explica os principais motivos por essa queda. “ Devemos entender que essa despreocupação com a corrupção no país, não é porque a corrupção diminuiu, o que acontece é que outros temas detém uma importância maior, naturalmente temas como corrupção acabam se saturando, principalmente em ver que apesar dos trabalhos de combate [a corrupção] como foi a lava jato, não houve avanços reais para o país”, pontua. 

Fonte: Boom Press

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